EBDA investe em melhoria do rebanho ovino por inseminação
Transferir material genético de qualidade, de ovinos da raça Dopper, a produtores familiares do semi-árido baiano, visando à melhoria do plantel estadual, é o objetivo da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). Na última na sexta-feira (11), 30 embriões Dopper, importados da África do Sul, foram inseminados em fêmeas da raça Santa-Inês, do plantel da empresa.
Os embriões foram adquiridos pela EBDA junto a criadores previamente aprovados, em função do alto mérito genético dos animais doadores e pelo rigoroso processo de controle sanitário ao qual foram submetidos. As fêmeas receptoras, que funcionam, no processo, como “barriga-de-aluguel”, foram selecionadas no plantel da Estação Experimental de Jaguaquara por se destacarem nos aspectos de escore corporal -cobertura muscular do animal -, desenvolvimento ponderal –tempo de ganho de peso (quanto menor o tempo, melhor) -, e pela capacidade reprodutiva.
Segundo o presidente da EBDA, Emerson Leal, este trabalho, em biotecnologia, visa à implantação de um Núcleo de Produção de Reprodutores, que atenderá aos produtores familiares, visando à melhoria do plantel baiano de ovinos, o segundo maior do Brasil.
“A ovinocultura é uma das atividades mais adotadas pelo agricultor familiar, na Bahia. Dessa forma, não poderíamos deixar de antevê-la como uma opção das mais rentáveis para esse agricultor e criarmos as condições para oferecermos animais com qualidade genética superior”, explicou o presidente.
A transferência de embriões foi realizada na Estação Experimental de Jaguaquara, área de atuação da Gerência Regional da EBDA, de Jequié. O experimento foi realizado pelo professor Alberto Lopes Gusmão, da Faculdade de Veterinária da UFBA, assistido por três de seus alunos, e com o apoio do médico veterinário da EBDA, José Carlos Caroso.
O professor explicou que os embriões, transportados em cilindros, no processo de crioconservação (nitrogênio líquido), à temperatura de 196º, negativos, foram inseridos nas fêmeas, através de laparoscopia, uma técnica considerada rápida e segura na transferência de embriões. “As técnicas de reprodução favorecem aos programas de melhoramento, tendo em vista que é possível obter a melhoria e a formação de novas raças”, explicou.
A raça
A raça Dopper é especializada na produção de carne, e é totalmente adaptada às condições do semi-árido nordestino. Apesar de não ser explorada de forma intensiva, na região, a Estação de Jaguaquara vem desenvolvendo pesquisas com esses animais, desde 2003. Os resultados, segundo o veterinário e chefe da Estação Experimental de Jaguaquara, Milton Ribeiro Júnior, são considerados positivos, com êxito em cruzamentos com outras raças naturalizadas (nativas), do Nordeste brasileiro.
“Disponibilizar animais desta raça para cruzamento é uma das melhores opções para a agricultura familiar, principalmente no que se refere ao melhoramento de carcaça”, comentou. Sobre a disponibilidade dos animais da raça Dopper, para o agricultor familiar, a idéia é disponibilizar, os reprodutores, através de comodato (empréstimo por tempo determinado) e também - como a empresa já vem trabalhando com outros tipos de animais -, por aquisição direta, através de leilões e carta convite.
A Estação Experimental ainda desenvolve, em parceria com a Embrapa, através do Centro Nacional de Recursos Genéticos – Cenargem, em Brasília e a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, o Programa Nacional de Preservação de Raças Naturalizadas, particularizando as raças ovinas Santa-Inês, Rabo-Largo e Morada-Nova, que apresentam maiores características de rusticidade e adaptabilidade às condições do semi-árido.
A raça apresenta cortes nobres, a exemplo do lombo e do pernil, possibilitando a inserção de um produto de qualidade, em mercados mais exigentes. O tempo de gestação dos ovinos é de cinco meses, podendo parir até três borregos, por gestação. Chegam à idade de abate em torno de
EBDA/Assimp - 15/04/2008.
Maria de Lourdes – 3116.1803