Seagri inicia ações do PAC do Cacau
A partir desta semana a Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) inicia as ações de implementação do Plano de Desenvolvimento e de Diversificação Agrícola na Região Cacaueira, o PAC do Cacau, lançado pelo presidente Lula e pelo governador Jaques Wagner, durante solenidade em Ilhéus.
Dentro das ações previstas está a contratação de profissionais para prestar assistência técnica aos produtores beneficiadas pelo PAC e a implantação do Programa de Industrialização de Cacau em Pequena Escala, que possibilitará a criação de nichos de mercado agregando valor ao produto final.
O plano terá investimentos de R$ 2,2 bilhões nos próximos oito anos, beneficiando aproximadamente 25 mil agricultores da região cacaueira.
"Além da renegociação das dívidas da lavoura cacaueira, será possível investir na modernização da produção de cacau e em diversificação, com o cultivo de seringueira, pupunha, frutas e flores e dendê", disse o secretário de Agricultura, Geraldo Simões, que destacou a importância do PAC para a revitalização da economia.
Fábricas - Simões ressalta também que o programa vai agregar valor ao cacau, através da implantação de fábricas de chocolate em cooperativas e associações de produtores.
"O sul da Bahia deixará de ser apenas um produtor de matéria-prima, já que o cacau em amêndoa movimenta cerca de R$ 300 milhões por ano e o mercado de chocolate atinge R$ 4 bilhões por ano", lembrou o secretário.
A previsão é que sejam instaladas, por intermédio da Seagri, 20 fábricas de chocolate na região que compreende os territórios Litoral Sul, Rio de Contas, Vale do Jequiriçá e Baixo Sul.
Cacau fino e orgânico - As fábricas atendem os objetivos do Programa de Industrialização de Cacau em Pequena Escala, que apresentará produtos diferenciados, feitos de cacau fino e especial e de cacau cultivado organicamente.
Também serão aproveitados os subprodutos como mel e polpa, para produção de sucos, geléias, vinhos, aguardentes e resíduos do cacau que poderão gerar energia alternativa.
Contratação de técnicos para a EBDA
Ainda nesta semana, será iniciado o processo de contratação de 41 técnicos, de um total de 141 profissionais, que serão integrados aos quadros da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA).
Os técnicos vão atuar na assistência aos micro, pequenos, médios e grandes produtores, além de assentamentos e quilombolas.
"A assistência técnica, com a difusão de novas tecnologias, a capacitação profissional e o acompanhamento permanente vão garantir o êxito dos projetos de diversificação, já que os produtores também apoio para a obtenção de novas linhas de crédito", destaca Simões.
Clones - O PAC do Cacau prevê a implantação de 150 mil hectares de cacau com clones (mudas de alto rendimento e resistentes à praga da vassoura-de-bruxa) e adensamento da lavoura (aumento do número de plantas por hectare).
Também estão previstos o cultivo de 100 mil hectares de dendê, 100 mil de seringueira, que serão absorvidos na produção de biocombustíveis e nas indústrias de pneumáticos, respectivamente.
O plano contempla também a realização de obras de infra-estrutura, como construção de porto, ferrovia e aeroporto, além da recuperação.
Encontro no Chile
O secretário Geraldo Simões está no Chile, representando o governador Jaques Wagner na primeira reunião da Rede de Governadores Latino-Americanos pelo Desenvolvimento Rural.
O encontro, promovido pelo Centro Latinoamericano para el Desarrollo Rural e pela FAO (órgão da ONU para a área de alimentação) reúne dirigentes das três Américas e do Caribe e tem como tema principal as Dinâmicas Territoriais Rurais.
Qualidade dos alimentos - O objetivo é ampliar a produção e melhorar a qualidade dos alimentos, através da difusão de novas tecnologias e da modernização do setor rural.
A reunião, que inclui uma visita a projetos de agricultura solidária, termina hoje.
"A Bahia tem condições de se tornar um dos principais estados brasileiros na produção de alimentos e para isso o Governo do Estado vem desenvolvendo projetos que se adequam as possibilidade de cada região, tendo como foco o incentivo a agricultura familiar, que responde por cerca de 90% das propriedades rurais baianas", ressalta Simões.