MST cobra acordo do governo

13/05/2008

MST cobra acordo do governo

 

O núcleo estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) voltou a pressionar, ontem, o governo da Bahia, mobilizando cerca de 500 agricultores a acamparem em frente à Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA), órgão da Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária do Estado. O MST reclama que o governo de Jaques Wagner (PT) não cumpriu o acordo realizado em abril de 2007 e ratificado em março deste ano para a realização de um pacote de obras nos assentamentos dos sem-terra.

“A CDA é um ponto de partida, pretendemos debater (a reforma agrária) também com a Secretaria de Agricultura e com o presidente Nacional do Incra, cuja presença exigimos”, declarou Evanildo Loures, membro da Direção Estadual do MST. “Não vamos desmobilizar a ação até que o governo cumpra o que foi acordado”, garantiu. Um dos principais líderes dos sem-terra na Bahia, o deputado estadual Valmir Assunção (PT), integra o secretariado do governo Wagner, dirigindo a pasta de Desenvolvimento Social.

Entre as obras reivindicadas pelos sem-terra estão a construção de três mil casas, a recuperação de outras cinco mil, a instalação de mais de 11 mil ligações elétricas e o conserto de mil quilômetros de estradas. As lideranças querem também que o governo estadual interceda no Judiciário para “resolver entraves relativos à obtenção de terras”. Os manifestantes pretendem aguardar o retorno, amanhã, do secretário da Agricultura do Estado, Geraldo Simões, que está no Chile em visita oficial.

VIOLÊNCIA – Um dos acampamentos do MST, denominado Santa Rosa, situado na fazenda do mesmo nome (de 600 hectares) no município de Maracás, na Chapada Diamantina, teve todas as barracas de lona queimadas no fim de semana, supostamente por dez homens armados.

A área está sendo disputada com o dono da fazenda, Wilson Andrade, a quem os sem-terra acusam de ser o responsável pela ação. Andrade não foi localizado, ontem, para rebater a acusação.

Conforme Arlindo Macedo de Oliveira, líder do MST em Maracás, o fazendeiro estaria ameaçando, há dias, as 50 famílias que já estão no local há oito meses.

No momento do incêndio, a maioria dos sem-terra estava cuidando da roça. A ação foi registrada na Delegacia de Polícia de Maracás e denunciada à Ouvidoria Agrária. Os sem-terra disseram que vão armar novos barracos em substituição aos queimados, mas temem que os pistoleiros retornem à fazenda.