Preço melhor não garante mais algodão

13/05/2008

Preço melhor não garante mais algodão

 

A redução de quase 15% na área plantada de algodão nos Estados Unidos não deverá estimular a próxima safra brasileira. Nem mesmo a perspectiva de elevação das cotações da fibra estimulariam o cotonicultor brasileiro, que reclama dos altos custos. Com isso, pelo segundo ano consecutivo o País deverá diminuir a área cultivada com a fibra. A estimativa é de uma queda de até 20%. Na atual safra, a superfície plantada foi levemente inferior à passada: 1,09 milhão de hectares - queda de 0,55%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
De acordo com o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), Lucílio Alves, outros países tendem a equilibrar a redução da área nos Estados Unidos, deixando o quadro mundial praticamente estável. Apesar disso, segundo ele, os indicadores são de preços mais elevados. Enquanto o contrato de maio era negociado a US$ 0,67 a libra-peso, na Bolsa de Nova York (Nybot), o papel para dezembro do ano que vem está avaliado em US$ 0,87 a libra-peso. Teoricamente, na análise do pesquisador, isso poderia estimular o plantio. No entanto, Alves acrescenta que hoje os valores da soja e do milho estão mais atrativos. Lembra também que na safra atual e nas duas anteriores houve intervenção do governo no mercado, o que deixaria a produção mais competitiva.
"Aquele que não tem infra-estrutura vai para outra cultura. O grande produtor vai reduzir o que for possível, pois pode plantar soja na mesma área usando menos insumos", explica o cotonicultor João Carlos Jacobsen Rodrigues, vice-presidente da Associação dos Irrigantes da Bahia (Aiba) e ex-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Segundo ele, com o câmbio atual, o preço da fibra para a próxima safra deveria estar em US$ 1 a libra-peso, pois aliado a isto, os custos de produção subiram, em média, 20%.
Para Antônio Carlos do Rego Freitas, sócio da Horus Consultoria , a queda na safra americana poderia, por outro lado, estimular as exportações brasileiras, pois possíveis compradores daquele mercado viriam ao País adquirir a fibra. "Apesar de tudo isso, a área vai diminuir porque o custo de produção brasileiro subiu muito e comparando com os preços de soja e milho, o algodão perde terreno", acredita Freitas.
Marco Antônio Aluísio, da Esteve S.A, não acredita em uma recuperação dos preços da fibra porque a crise dos mercados - provocada pelos subprimes americanos - tende a reduzir o consumo e atualmente os estoques ainda são altos:: 43%."O algodão não é alimento e, em crise, é o primeiro que se deixa de consumir", avalia. De acordo com ele, a tendência é que o País mantenha ou diminua a área plantada, em virtude do aumento dos preços dos fertilizantes.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Neila Baldi)