Quadrilha adulterava leite em pó
Os empresários Cristina Malvessi e Carlos Bautista Culau, sócios das indústrias de leite Milkly e Big Leite, com sede no município de Santo Antônio de Jesus, foram duas das sete pessoas presas, ontem, pela Polícia Federal da Paraíba (PF) durante a Operação Lactose, que desarticulou uma organização criminosa que adulterava leite em pó integral.
Os dois são acusados também de falsificar notas fiscais, sonegar impostos, corromper funcionários públicos e de outros crimes contra a saúde e a ordem pública, prejudicando milhares de consumidores de leite, sobretudo cr ianças.
Cristina Malvessi foi presa na manhã de ontem no município de Santo Antônio de Jesus e levada para a carceragem da Polícia Federal em Salvador, onde deverá permanecer até amanhã, quando será transferida para a sede da PF em João Pessoa, onde está centralizado o inquérito e onde se encontra preso o seu sócio, Carlos Batista. De acordo com a delegada-chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Fazendários, da Polícia Federal da Paraíba, Luciana Paiva – que comandou a operação –, os dois tiveram a prisão preventiva decretada e deverão permanecer presos até o julgamento.
Ainda segundo a delegada, a empresária participava integralmente do esquema. “Ela sabia da adulteração e ainda determinava que funcionários seus fizessem a alteração nos produtos durante o processo de empacotamento do leite”, afirmou. Com relação a Carlos Batista, o envolvimento dele é ainda maior, segundo revelou a delegada. A pena para os crimes dos quais estão sendo acusados, conforme a delegada, pode chegar a 12 anos de reclusão.
Na sede da empresa Milkly, em Santo Antônio de Jesus, a PF apreendeu computadores, documentos, papéis e amostras de produtos que foram encaminhados para a PF de Salvador e deverão seguir entre hoje e amanhã para a Paraíba, onde serão anaXANDO PEREIRA | AG. A TARDE.
A Polícia Federal fechou o escritório da Milkly/Big Leite em Salvador lisados. A Justiça Federal determinou ainda a busca e apreensão em imóveis dos envolvidos e a retirada do mercado consumidor de todo o leite em pó integral embalado pela Big Leite Indústria e Comércio de Alimentos Ltda., das marcas Só beber, Big Leite, Maturesse, Bom du leite e Cilpe.
De acordo com a delegada que comandou a operação, a quadrilha comprava leite em pó a granel, misturava com soro seco e depois empacotava para ser comercializado no mercado. “Eles substituíam mais de 50% do leite pelo soro, produto pobre em proteína.
Com isso, aumentavam os lucros e enganavam os consumidores”, explicou a delegada.
Para se ter uma idéia dos danos causados aos consumidores, a mistura admitida pelo Ministério da Agricultura é de 30 mg/l, enquanto nas amostras os índices chegavam a 592,5 mg/l – mistura que serviria apenas para alimentação animal ou para a indústria química, segundo relatou a delegada.
Para encobrir a falsificação e justificar uma saída maior do que a entrada dos produtos, a Big Leite recebia notas fiscais frias das empresas Avesul Ltda. e Sanita Ltda., estabelecidas em Santa Catarina; da Milkly Ltda., com sede na Bahia; e da Via Láctea, instalada no Ceará, todas de propriedade dos suspeitos.
O modus operandi da quadrilha era tão organizado que envolvia até funcionários do laboratório do Ministério da Agricultura, em Pernambuco. Segundo a delegada, o funcionário Urbano José Dantas, que também está preso, burlava a fiscalização trocando as amostras adulteradas que eram recolhidas pela fiscalização por material de boa qualidade.
“Quando o laudo era divulgado, o produto era considerado adequado para o consumo humano”, disse Luciana Paiva. Além de Urbano, a PF prendeu também dois funcionários da Big Leite, Carlos José Escorel e Evandro Soares Reis, além de Augusto Osmundo Reis e Noeli Joris.
A operação, que contou com a participação do Ministério da Agricultura, cumpriu 14 mandados de busca e apreensão nos Estados da Bahia, Paraíba, Pernambuco, Ceará e Santa Catarina. As investigações foram iniciadas há um ano e partiu de uma denúncia do Ministério da Agricultura.