Microcrédito impulsiona a agricultura familiar
O microcrédito, visto como “uma grande ferramenta de crescimento das classes mais carentes”, como define o assessor da área de microfinanças do Sistema Ascoob – Associação das Cooperativas de Apoio à Economia Familiar, Wanderley Gomes, foi a saída encontrada para fomentar a agricultura familiar em dezenas de municípios baianos. Três parcerias com instituições de crédito já renderam à Ascoob R$12 milhões para financiar projetos a cerca de dez mil associados das dez cooperativas filiadas, abrangendo cerca de 90 municípios baianos. Desse total, o BNDES entra com R$6 milhões, o Banco do Nordeste com R$3 milhões, a ONG holandesa Finance-Cordaid com R$2,5 milhões e a Agência Nacional de Desenvolvimento Microempresarial (Ande) com R$500 mil.
Os resultados positivos obtidos pela Ascoob com o Programa de Microcrédito (Pro-Mic) foi reconhecido também pelo Banco Central, que autorizou a formação da Ascoob Central, com sede em Feira de Santana, permitindo a criação do Sistema Ascoob. “Foi uma conquista muito importante, porque, como nosso foco é a agricultura familiar, não estávamos nos sentindo à vontade dentro do Sistema Sicoob (Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil), que representa o agronegócio”, explica Gomes. A assembléia geral de constituição da Central foi realizada dia 12 de abril.
Ele ressalta a importância do apoio pioneiro do BNDES, que nunca tinha atuado no segmento de cooperativas de microcrédito e aprovou o projeto da Ascoob pela organização, baixo índice de inadimplência (inferior a 3%) e alcance social da agricultura familiar. “Nós idealizamos um sonho e agora ele está sendo viabilizado”, descreve entusiasmado Wanderley Gomes, apostando na ampliação da experiência para outras cooperativas do país. O grande objetivo do programa, segundo ele, é a inclusão social via educação financeira. O Pro-Mic tem duração de cinco anos e nesse período deve ajudar a manter ou gerar 13,5 mil postos de trabalho. Com a rotatividade do financiamento, o valor aportado deve chegar a R$21,5 milhões até 2012.
Os recursos só começarão a ser liberados a partir de junho, mas Gomes garante que os cooperados estão ansiosos pelos empréstimos, que beneficia todos os segmentos da agricultura familiar, tanto para aquisição de insumos e máquinas quanto para capital de giro e comercialização. As taxas de juros são de 2,5% ao mês, com prazo de até 15 meses e três de carência. Os limites para empréstimo ainda estão sendo analisados, pois como os do BNDES vão de R$500 a R$10 mil e os da Ascoob de R$100 a R$2 mil, é possível que haja uma flexibilização dentro dessa margem.
Das dez cooperativas de crédito rural associadas à Ascoob, oito serão beneficiadas com os recursos do BNDES: Inhambupe, Vale do Itapicuru, Baixa Grande, Valentense, Piemonte, Araci, Serrinha e Pintadas. As outras duas, Paraguaçu e Feira de Santana, ficaram de fora por não terem concluído seus projetos a tempo, mas serão contempladas com os recursos da Ande. Segundo informação da Assessoria de Imprensa do banco, o projeto da Ascoob foi aprovado pelo forte impacto na geração de renda e no desenvolvimento regional, sobretudo por beneficiar municípios com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) abaixo da média estadual e nacional. Entre os méritos do projeto, a instituição aponta a contribuição para o fortalecimento da agricultura familiar de subsistência e a ampliação da oferta de microcrédito produtivo no semi-árido baiano, favorecendo a diversificação da produção.