Estudantes conduzem experimento com tomate
Mãos calejadas e sujas de terra, suor escorrendo no rosto, monitoramento e anotações sempre em dia. Esta tem sido a rotina de um grupo de estudantes do curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) desde que implantaram, há mais de 100 dias, experimento com tomates no campus de Conquista, a 509 km de Salvador.
As primeiras avaliações obtidas na área de baixada, numa parte alta e emuma estufa – três ambientes de cultivo parecem mostrar que os estudantes estão a um passo de importante descoberta para o fortalecimento dessa cultura na região, historicamente favorável à cafeicultura.
Carolina Benjamin, Wedisson Oliveira, Nadjama Prado, Tiago Jardim e Lucas Santos, todos cursando o sexto semestre, plantaram cerca de 500 mudas de tomate em diferentes ambientes topográficos e climáticos. O tomate híbrido é da espécie Licopersicum esculentum.
CUIDADOS – Em plantio na baixada, onde há mais umidade e menos ventilação, ocorre uma proliferação maior de uma doença chamada vulgarmente de requeima, fungo causado pelo patógeno Phytophthora infestans, que pode dizimar toda a cultura em apenas três dias.
“Inicialmente, nesse ambiente, o espaçamento era de 1 x 0,5 metro. No decorrer dos dias, os pesquisadores foram obrigados a sacrificar uma planta para tornar o ambiente mais arejado”, conta o estudante Lucas Santos.
Na parte mais alta do terreno, chamado “ambiente dois”, os tomateiros ainda não apresentaram a doença. Isso ocorre devido à localização do terreno, cuja umidade é menor. “Por ter maior aeração, não tivemos problemas com requeima”, intervém Wedisson Oliveira, também da Uesb.
“A planta na parte mais alta não teve qualquer indício de infecção, enquanto que, lá embaixo, nós convivemos com esse problema já nos primeiros dias de transplantado naquele experimento.
Isso confirma que a umidade é um fator que a gente deve considerar quando for dimensionar um cultivo de tomate, principalmente no que diz respeito a essa doença”.
TEMPERATURA – Já as plantas que estão sendo cultivadas no viveiro, em vasos, não foram atacadas por nenhuma doença. “No entanto, tiveram a produção de frutos prejudicada, devido à temperatura elevada dentro da estufa”, completa Tiago Jardim.
“Na parte de baixada, tivemos problema com a requeima, mas, na segunda parte, isso não ocorreu, e, na estufa, a fitossanidade anda é melhor. Aqui, por ser um ambiente controlado, não temos presença de insetos, nem de doenças”, explica o estudante.
A pulverização foi também menor, representando menos de 20% da aplicada a campo, porém a estufa apresentou um sério problema no experimento, conforme avaliação do estudante.
“As plantas aqui são bem mais velhas que as dos outros ambientes, só que temos muitas flores e poucos frutos. Resultado: temperatura alta, índice abortivo elevado. Agora se pode pensar numa época de frio para este ambiente”, salientou Jardim.