Viveiros de pau-brasil são alternativa para replantio

19/05/2008

Viveiros de pau-brasil são alternativa para replantio

 

Mais de 131 mil mudas de pau-brasil estão sendo plantadas em 83 municípios do sudeste da Bahia, dentro do Projeto de Fomento ao Plantio de Pau-Brasil, executado pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) com o apoio da iniciativa internacional para a conservação dessa espécie.

Segundo dados da Ceplac, entre 2004 e 2007, deveriam ser distribuídas e plantadas 74 mil mudas, mas a meta foi superada em 74%. No ano passado, foi identificada no município de Itamaraju a maior população de pau-brasil nativa já georreferenciada no País.

O achado está na Fazenda Pau-Brasil e perfaz um total de 728 árvores adultas. “O pau-brasil foi listado, em junho do ano passado, pela ONU, como espécie ameaçada de extinção. Esse achado irá contribuir para a retirada dessa espécie da lista”, diz o agrônomo da Ceplac, Demósthenes Lordello de Carvalho.

Segundo ele, a área onde o pau-brasil nativo foi descoberto tem 347 hectares de cacau e cerca de 500 hectares de mata. Foi feito um censo na propriedade, o que permitiu descobrir toda essa riqueza com a árvore-símbolo do País”, diz o pesquisador.

MATRIZES – A propriedade terá viveiro de 20 mil mudas da espécie para que sejam usadas na recuperação de áreas degradadas no interior da Fazenda Pau-Brasil, onde serão marcadas árvoresmatrizes no sistema agroflorestal cacau-cabruca e protegidas as árvores da área da propriedade, de acordo com o projeto.

No final de fevereiro, uma missão internacional, composta por franceses, alemães e americanos, esteve na região sul da Bahia para avaliar o Projeto Pau-Brasil, cuja finalidade é evitar o desaparecimento da espécie, hoje sob risco de extinção. Os visitantes representaram organizações que apóiam o plano e vieram conhecer os resultados obtidos até agora pelos pesquisadores da Ceplac.

Os técnicos visitaram plantios instalados em áreas do Grupo Chaves, em Itabuna; Fazenda Bolandeira, em Una; no Instituto Biofábrica de Cacau, em Uruçuca; e do assentamento Paulo Jackson, do Movimento Sem Terra, em Ibirapitanga.

Os integrantes também conheceram a Estação Ecológica Pau-Brasil, em Porto Seguro, e Santa Cruz Cabrália, onde discutiram a possibilidade de estabelecer parceria com a comunidade indígena Pataxó, a fim de incentivar a instalação de novos plantios dessa espécie.

CONSERVAÇÃO – O agrônomo Demósthenes Lordello de Carvalho, da Ceplac, salienta que, pela Lei nº 6.607, de 7 de dezembro de 1978, que institui o pau-brasil como árvore nacional, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) promover em todo o território nacional viveiro de mudas visando a sua conservação e distribuição para finalidades cívicas.