Independência planeja elevar capacidade de abate

20/05/2008

Independência planeja elevar capacidade de abate

 

O frigorífico Independência, que fechou o primeiro trimestre deste ano com receita bruta de R$ 337 milhões, segundo balanço divulgado ontem, deve ampliar sua capacidade de abate para 12 mil cabeças de gado bovino por dia até o fim deste ano. Atualmente, ela é de 9,5 mil cabeças diárias e estava em 6.900 no fim de 2007. 

De acordo com o diretor-financeiro do Independência, Tobias Bremer, esse aumento será possível com a entrada em operação das unidades de Nova Xavantina , Confresa e Pontes e Lacerda, todas no Mato Grosso. Enquanto no fim de 2007, a empresa tinha 15 unidades (entre abate, curtume e logística) em atividade, hoje são 19 fábricas . 

Questionado se haverá animais suficientes para atender à maior capacidade de abate, Bremer disse que a oferta de gado é menor em determinadas regiões do país, como São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Em outras, há gado. "Estamos levando a capacidade de abate para as regiões onde existe gado", afirmou. O executivo acredita que os preços do boi "continuarão aquecidos durante 2008 e 2009", mas não faz previsão. 

Com a estratégia de ir aonde está o boi, o Independência conseguiu ampliar os abates no primeiro trimestre - de 249 mil para 257 mil animais. No período, os abates no país caíram 18%, destacou Bremer. 

Os preços mais altos do boi - devido às ofertas restritas - tiveram impacto sobre os resultados do Independência no trimestre que passou, contribuindo para elevar os custos dos produtos vendidos em 15,8% sobre igual período de 2007, para R$ 252 milhões. 

A empresa também sentiu os efeitos das restrições européias à carne brasileira em suas exportações. Apesar de estar originando carne para a União Européia a partir de sua planta de Janaúba (MG), - os abates de animais de fazendas certificadas somam apenas 500 a 1 mil cabeça por mês - , a participação do bloco na receita com as exportações caiu de 18% em 2007 para 8% a 9% no trimestre passado, de acordo com Bremer. 

No período, a empresa teve lucro de R$ 7,6 milhões, alta de 146% na comparação com o primeiro trimestre de 2007. Segundo Bremer, a variação cambial e a redução do custo da dívida em função de refinanciamento levou ao resultado. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ) também subiu - 17,4%, para R$ 51 milhões e a margem EBITDA foi de 16,6% contra 15,8% no primeiro trimestre de 2007. 

A dívida líquida do Independência cresceu 39% em relação ao primeiro trimestre de 2007, alcançando um total de R$ 921 milhões. Do total, 68% são dívidas de longo prazo, segundo a empresa.