Defensivos mistos para a lavoura
A DVA, empresa alemã que entrou no mercado brasileiro de produtos agrotóxicos em 2005, anunciou na quinta-feira passada a construção do Centro de Tecnologia, Produção e Distribuição de defensivos agrícolas.
A planta da indústria fica localizada no município de Ituverava, extremo oeste de São Paulo, e deve consumir investimentos de US$ 50 milhões. A empresa, cujos defensivos são voltados principalmente para culturas de cana, milho, algodão, soja e hortifrutis, pretende se colocar como a quinta agroquímica até 2012.
Os defensivos da empresa são classificados como “faixa verde”, cor dos rótulos dos produtos indicados pelo Ministério da Saúde como “pouco ou muito pouco tóxicos”, mas que ainda são agressivos ao homem e demandam uso de equipamentos de proteção, como máscaras, luvas, chapéus e botas impermeáveis por quem os aplica.
De acordo com o presidente da DVA Brasil, Carlos Pellicer, a empresa está pesquisando matériasprimas nacionais e tem como um dos objetivos desenvolver produtos voltados para lavouras orgânicas.
“Devemos, também, combinar moléculas tradicionais com outras naturais. A importância dessas combinações é porque se permite a diminuição da quantidade de aplicações e uma maior eficácia do princípio ativo”, frisou o executivo, em entrevista coletiva em São Paulo.
Na primeira fase de produção, a indústria em Ituverava deve fabricar concentrados emulsionáveis, utilizados após diluição em água ou outros líquidos.
A estrutura física da indústria prevê também uma segunda etapa de produção, direcionada aos microencapsulados, que dão maior proteção para o usuário e menos riscos ao meio ambiente, segundo a empresa.
Até aqui, o fungicida mais vendido pela DVA no Brasil é o Portero. A substância ativa do produto é o carbendazim e o fungicida é aplicado em doenças de final de ciclo. São combatidas doenças como crestamento foliar e mancha parda, na soja, cultura consolidada no oeste baiano.
Portero é indicado também para a antracnose do feijão.
Com fraca presença no Estado, a DVA planeja uma maior participação no mercado regional, com foco voltado para algodão, soja e café. “Estamos ampliando a rede de distribuição, venda para cooperativas e para os consumidores finais”, apontou o presidente da indústria.
Hoje, a marca concorre com agrotóxicos de indústrias como Syngenta e Bayer e está mais presente nas lavouras de Mato Grosso, Goiás, algumas áreas de São Paulo e no Sul do Brasil, onde a agricultura é diversificada e se concentra a pecuária de ponta.
O centro da DVA no interior paulista vai concentrar a produção e a distribuição agroquímica da multinacional, dentro da qual o setor representa 50% das atividades.
O material produzido pela empresa no Brasil deve ser escoado para o mercado interno e países da América do Sul. Junto com a Índia, o centro de pesquisa brasileiro é responsável pela criação de novos produtos, ligados à indústria farmacêutica, de alimentos e à saúde pública.