Produtor ganha novos incentivos
Preocupado em garantir o abastecimento e evitar altas adicionais nos preços dos alimentos – a inflação baixa tem sido uma âncora para a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva –, o governo vai lançar, nos próximos 30 dias, uma série de medidas para apoiar os pequenos agricultores. Segundo o secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Adoniram Sanches Peraci, está prevista a criação de uma linha de crédito específica para a construção de armazéns comunitários. Os recursos sairão dos R$ 13 bilhões previstos para o Pronaf na safra 2008/2009, com taxas de juros entre 1% e 3% ao ano.
O ministério também quer fazer uma parceria com a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) para incentivar licitações e reduzir os preços do maquinário. Os agricultores terão um crédito específico para esse fim. E as prestações serão indexadas às cotações agrícolas – ou seja, se o valor do crédito equivale a um determinado número de sacas de milho, esse empréstimo será pago no futuro pela mesma quantidade de sacas de milho, com o governo equiparando os preços em caso de queda.
O governo também quer aumentar os recursos destinados às empresas estaduais de assistência técnica rural, as Ematers – uma queixa freqüente dos agricultores é que essas instituições foram desmanteladas. A idéia é direcionar R$ 200 milhões.
Segundo o secretário, as medidas visam a atuar nas principais barreiras à agricultura familiar: falta de estoque e baixa produtividade.
“O agricultor que está sozinho no mundo é explorado. Ao oferecer crédito para armazéns comunitários, queremos incentivar as cooperativas. Os preços vão se manter elevados nos próximos anos, é uma bela oportunidade”, prevê Peraci.
Peraci destaca que, no setor de leite, por exemplo, há grande espaço para aumentar a produtividade da agricultura familiar.
Hoje, uma vaca no Brasil produz em média 3,5 litros de leite por dia – nos EUA, são 18.