FAO discute carestia e mudança climática a partir de hoje na Itália

03/06/2008

FAO discute carestia e mudança climática a partir de hoje na Itália

 

O aumento dos preços dos alimentos gerou um alarme mundial e fez com que muitos países em desenvolvimento, como a Argentina, suspendessem temporariamente suas exportações agrícolas e tomassem medidas de controle de preço, para enfrentar o forte desequilíbrio entre a oferta e a demanda dos produtos. Por conta desse cenarío, a escassez dos alimentos será um dos temas no debate na Conferência da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) sobre Segurança Alimentar, Mudanças Climáticas e Bioenergia, que começa hoje em Roma e termina na quinta-feira.
Brasil e Argentina aparecem na linha de frente na elaboração de políticas de médio e longo prazo para promover uma agricultura sustentável. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Cristina Fernández de Kirchner, da Argentina, estão presentes na Conferência.
Entre as propostas para a solução dessa grave crise alimentar estão medidas no rumo oposto à proibição das exportações de alimentos, acreditam alguns observadores que participarão do evento. "No Brasil, a política do governo Lula investiu fortemente na agricultura familiar nos últimos sete anos", declarou Paolo Silveri, do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrário (Ifad).
"O Ministério para o Desenvolvimento Agrário, com o qual o Ifad colabora há anos, promove um modelo de agricultura sustentável que visa aumentar os rendimentos de pequenos agricultores, conter o fluxo migratório do campo para a cidade, garantir a diversificação alimentar e o acesso aos mercados", acrescentou.
Segundo o Ifad, o Fundo Nacional para a Agricultura Familiar do Brasil dispõe de cerca de R$ 13 bilhões para aplicar entre 2008 e 2009, com o objetivo de promover o desenvolvimento da agricultura familiar no País.
"Esse fundo favorece o acesso dos pequenos agricultores a serviços como crédito, assistência técnica e sistemas de seguro contra as variações de preços e os efeitos do clima", explicou Silveri.
Também na Argentina o investimento público na área agrícola aumentou muito nos últimos anos e, em abril passado, foi instituído um programa ministerial para o desenvolvimento rural e da agricultura familiar, institucionalizando políticas e investimentos públicos em benefício dos pequenos agricultores.
"O Ifad colabora com ambos os países, seja com contribuições diretas, como projetos e programas nas áreas mais pobres, seja com a promoção de uma plataforma de diálogo político que una os governos e associações de agricultores, para a definição participativa de políticas e investimentos produtivos em favor dos pequenos agricultores, historicamente excluídos das intervenções públicas dirigidas ao desenvolvimento produtivo em vez do assistencialismo", explicou Silveri.
Capital mundial
O vice-prefeito de Roma, Mauro Cutrufo, afirmou hoje o compromisso de seu governo "para agilizar o trabalho das agências da ONU (Organização das Nações Unidas), de modo que Roma se transforme na capital mundial da segurança alimentar". As declarações foram feitas na cerimônia de inauguração da nova sede do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, uma das três agências agro-alimentares da ONU, na capital italiana. Cutrufo defendeu o "papel de primeiro nível que essas agências desempenham ao fazer frente à atual grave crise alimentar".
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Ansa)