CAR festeja 25 anos de combate à pobreza rural em todo o estado
Como é que no meio de uma caatinga dessa, onde não chove, ainda se consegue fazer um trabalho de seleção genética, de beneficiamento e manejo, com o uso de técnicas de ordenhamento e sanidade alimentar? Essa é a pergunta feita por milhares de pessoas que conhecem, hoje, o sucesso alcançado pelo Projeto da Usina de Beneficiamento de Leite do distrito de Quicé, no município de Senhor do Bonfim.
"Isso é fruto do associativismo e da ajuda de uma política pública bem operacionalizada, que é esse trabalho da CAR", respondeu o representante da Associação de Pequenos Produtores de Leite de Quicé, Edvaldo Araújo, ao participar, nesta sexta-feira, junto com dezenas de membros de associações rurais vindas do interior, da programação que comemorou os 25 anos da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir).
A associação, fundada em 2005, possui hoje uma Unidade de Beneficiamento de Leite financiada desde 2007 pela CAR.
Na caatinga – "Nossa comunidade é formada por pequenos produtores rurais extremamente carentes e que vivem numa região semi-árida muito difícil do bioma da caatinga. A CAR nos apoiou, viabilizando a construção de tanques de resfriamento de leite. Agora, somos 132 associados que trabalham com conhecimento, tecnologia, orientação e garantia da entrega do leite. Estamos gerando 300 empregos diretos e uma renda em torno de R$ 300 mil por mês", contou empolgado Araújo.
O representante da Associação dos Moradores e Produtores Rurais da região do Umbuzeiros, no município de Poções, Flávio Santos, disse que o trator financiado pela empresa tem trazido um grande benefício para a região.
"Onde você plantava um hectare, que produzia dois sacos de feijão, hoje produz cinco. E o povo ficou muito feliz com esse projeto do governo, porque ele contribui para melhorar cada dia mais as associações e a vida dos moradores."
Gratificante – O especialista em desenvolvimento rural e primeiro diretor executivo da CAR, Carlos Miranda, disse que para quem viu a CAR se desenvolver e participou deste desenvolvimento durante sete anos, é muito gratificante ver que foi uma empresa que se sustentou durante 25 anos com capacitação.
"É muito importante o corpo técnico e a formação que foi dada para trabalharem uma nova visão do mundo e de como administrar políticas públicas de desenvolvimento. E essa missão de combate à pobreza rural tem que ser renovada em função do novo contexto nacional e internacional", opinou.
"A CAR atua exatamente onde padecem os mais carentes, nas regiões onde vive a população mais pobre da Bahia".
Edmon Lucas, secretário de Desenvolvimento e Integração Regional
Ações melhoram condição de vida do homem do campo
Para o secretário de Desenvolvimento e Integração Regional, Edmon Lucas, há 25 anos, a CAR vem trazendo benefícios inquestionáveis ao desenvolvimento da zona rural da Bahia.
"Ela atua exatamente onde padecem os mais carentes, nas regiões onde vive a população mais pobre da Bahia. Ao longo do tempo, essa companhia tem desenvolvido ações muito fortes, levando a essa população melhores condições de vida, trabalhando para que possam ter acesso à água e ao saneamento", disse.
O diretor executivo da CAR, Paulo Cezar Lisboa, destacou que a CAR tem uma história rica na Bahia, sobretudo de ações junto às comunidades rurais, através de associações, contando com a participação do poder público.
"Este encontro é importante não só para lembrarmos do passado, mas porque precisamos também nos estruturar, projetar, planejar e pensar nas ações do presente e do futuro. Queremos refletir sobre a nova conjuntura, a necessidade de uma articulação maior com políticas públicas territoriais, novos tipos de projetos de caráter produtivo e novas formas de integração da agricultura familiar e da sociedade", ressaltou Lisboa.
Qualidade de vida – O superintendente da CAR, Emilson Piau, assinalou que a empresa foi criada para trabalhar com programas de desenvolvimento regional, surgindo numa época em que esses programas ainda eram incipientes no Brasil.