Estancar a sangria de divisas
Qual Estado com as condições econômicas da Bahia toleraria a sangria de divisas de R$ 2, 1 bi1hões/ ano pelo consumo de leite animal e derivados e álcool? E os empregos perdidos, levando a maior zona rural do País a migrar para as cidades? Quantos tiveram a saúde afetada, devido às fraudes nos produtos lácteos vindos de fora? E os gastos e tempo perdido com reparos nos carros devido ao álcool importado adulterado?
A Bahia produz 920 milhões de litros de leite "in natura" e consome, em leite em pó e líquido e derivados (manteiga, queijos, iogurte, etc.), o equivalente a 1,5 bilhão de litros/ano. Sem matéria- prima suficiente, o parque de industrialização de leite opera com 40% da sua capacidade, exceto as grandes unidades que se provêm fora. Alerte-se que, segundo a recomendação da FAO, deveríamos absorver 2,5 bilhões de litros.
Consumiremos, este ano, cerca de 630 milhões de litros de álcool, produzindo 120 milhões. O consumo de automóveis (90% de flex) em 2013 será de 1,75 bilhão versus 300 milhões de litros de gasolina. E ainda há a necessidade estratégica da Bahia - 30 anos de petroquímica - de ter os bioquímicos, inclusive o "plástico verde". Com as demandas e a produção atual, em 2013, a sangria cresceria, em espiral, para R$ 4,3 bilhões!!!
Quadro inaceitável. Mas animador é antever esperança de mudança, com a atual gestão implementando ações para reverter esse quadro.
Relativo à cadeia do leite. governos estadual e federal, agentes financeiros (BNB. BB e Desenbahia), entidades de produtores médios e familiares criaram plano de modernização da atividade, que se inicia pela gestão da propriedade, organiza a coleta da produção e fomenta a integração produtor-indústria, com ênfase nas normas de sanidade e inclusão social. Assim. estima-se qualificar 6 mil propriedades I com adição de 590 milhões de litros/ ano, zerando a importação.
Quanto ao álcool, surgem os resultados do Programa Bahiabio. e a previsão é zerar o déficit em 20 11. São cinco usinas no extremo sul, uso de cana de sequeiro, e outra no Nordeste, alta produtividade com cana irrigada, agregando juntas cerca de 520 milhões. No oeste, implanta-se unidade para 350 milhões de litros a partir de 2011. Haverá auto-suficiência em biodiesel e energia elétrica, título de "carbono zero" e inserção no mercado de créditos de carbono.
O atual governo da Bahia ficará na história pelo avanço no uso das potencialidades da terra, criando oportunidades de empregos e distribuição de renda, principalmente na área rural. Toda a população será beneficiada. pela oferta de produtos com qualidade garantida e preços mais acessíveis, com redução nos tributos, pelos incentivos e no custo do transporte.
* Eujácio Simões: Ex-deputado federal, superintendente de Política do Agronegócio da Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia.