Açúcar acumula alta de 7,6% em 3 dias
A divulgação de uma queda na produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro e a atratividade da exportação de álcool para as usinas do Brasil fizeram o açúcar ter ontem novo dia de alta na Bolsa de Nova York (Nybot). O contrato com vencimento em outubro encerrou o pregão a 12,43 centavos de dólar a libra-peso, valorização de 1,3% no dia. No acumulado dos últimos três dias, esse contrato na bolsa americana subiu 7,6%.
Dados divulgados esta semana pela União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) indicam que a produção de açúcar da região caiu 11% até o final de maio, para 3,27 milhões de toneladas, na comparação com igual período de 2007. A produtividade em termos do volume de açúcar extraído caiu cerca de 15% este ano, para 43,2 quilos por tonelada de cana, ante os 51 quilos por tonelada de maio de 2007. "O que está mantendo os preços é o receio sobre a produtividade da cana em termos de produção de açúcar da região Centro-Sul do Brasil", disse Jonathan Kingsman, diretor da empresa de pesquisa Kingsman S.A, de Lausanne, na Suíça.
Mário Silveira, da FCStone, acredita que a alta do preço do etanol nos Estados Unidos também está influenciando as cotações do açúcar, na medida que se gera expectativa de que as usinas podem vir a produzir mais álcool e menos açúcar.
Grãos
Milho, trigo e soja também tiveram dia de alta ontem na Bolsa de Chicago (CBOT). O milho teve ontem o seu décimo dia de alta consecutiva, puxada pela perspectiva de grandes perdas nas lavouras americanas. O contrato com vencimento em julho fechou a US$ 7,4225 o bushel, alta de 1,3% no dia e de, 22% no acumulado de dez dias. "O problema das chuvas é maior no milho, que na soja. Algumas áreas de milho não têm condições se serem replantadas. Dado do departamento de agricultura do estado de Iowa aponta para perda de 7% na produção de milho", informa Heber Cardoso, analista de gerenciamento de risco da FCStone.
Depois do movimento técnico de realização de lucro na segunda-feira, a soja encerrou o dia de ontem em Chicago cotada em US$ 15,6275 o bushel, alta de 1,6%. "O mercado vai passar as próximas duas semanas de lado, identificando o nível de perda trazido pelo excesso de chuvas", analisa Cardoso. O trigo também registrou forte alta no dia de ontem e encerrou o pregão a US$ 9,1625, elevação de 2,4%.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Fabiana Batista e Bloomberg News)