Nestlé deve investir R$ 46 milhões em novos projetos na Bahia
Um ano e quatro meses depois de inaugurada, a Nestlé Brasil amplia a unidade de Feira de Santana (BA), no Centro Industrial de Subaé. O anúncio oficial está marcado para acontecer hoje, em Salvador, na presença do presidente da companhia, Ivan Zurita, que havia antecipado a informação à Gazeta Mercantil em dezembro do ano passado. No protocolo formalizado com o governo do estado para a ampliação estão previstos investimentos de R$ 46 milhões. Desse total, R$ 20 milhões serão investidos na expansão da unidade já existente, que terá a introdução de nova linha para a produção de cereais, leite em pó, Nescau e Farinha Láctea.
Os demais R$ 26 milhões serão aplicados na construção de outra fábrica para a produção de iogurtes pela Dairy Partners Américas Brasil Ltda (DPAB), braço de lácteos da companhia em parceria com a neozelandesa Fonterra.
Os novos investimentos devem duplicar a produção da Nestlé Nordeste, atingindo 80 mil toneladas anuais. A ampliação da unidade baiana estava programada para se efetivar em quatro anos, mas, devido ao bom desempenho da companhia no Brasil, e particularmente no Nordeste, região que representa 30% do faturamento no País, os planos foram antecipados.
Na avaliação do secretário estadual de indústria, comércio e mineração, Rafael Amoedo, o mercado crescente do setor de alimentos e bebidas no Nordeste foi determinante para os novos investimentos da Nestlé. Mas, segundo ele, a satisfação com a qualidade de mão-de-obra baiana e a produtividade da fábrica de Feira de Santana também pesaram na decisão. O estado, no entanto, contribuiu com incentivos fiscais e infra-estrutura para a instalação dos novos empreendimentos.
No caso da fábrica para a nova linha de produção de cereais, leite em pó, Nescau e Farinha Láctea, que deverá agregar mais 55 novos postos de trabalho, a Nestlé terá benefícios do programa Desenvolve, que prevê diferimento de 52% a 81% no ICMS, a depender de como seja classificada pelos critérios de concessão do programa. Também terá diferimento do ICMS na aquisição de bens para o ativo fixo. Além disso, o estado concedeu área de 174 mil metros quadrados e a construção de infra-estrutura de acesso, incluindo iluminação, drenagem de águas pluviais, rede de água e pavimentação asfáltica. Nessas benfeitorias serão investidos R$ 2,68 milhões.
Para a unidade de laticínios da DPAB, que vai gerar 115 empregos diretos, além da cessão de terreno de 35 mil metros quadrados, estão sendo concedidos os benefícios do Decreto 10.710/07, que calcula a redução em 29,41%, com incidência da carga tributária correspondendo a um percentual efetivo de 12%. Também está previsto o diferimento de ICMS na aquisição de bens para o ativo fixo.
Ao inaugurar no ano passado a fábrica e o centro de distribuição de Feira de Santana, com investimentos de R$ 100 milhões, a Nestlé Brasil buscou atender não só o aumento da demanda do mercado nordestino por produtos da companhia, que cresceu mais do que o dobro na comparação com outras regiões do País, mas efetivar o projeto de regionalização iniciado em 2004, um dos pilares de crescimento da empresa para os próximos anos. Atrelada à regionalização, há a estratégia de intensificar os produtos para consumidores emergentes, de baixa renda, que representam grande parte da população nordestina.
No ano 2000, a Nestlé deu início a pesquisas de mercado no Nordeste. Executivos da empresa foram a campo e visitaram os lares de famílias nordestinas para entender melhor os hábitos de consumo e a cultura dos 50 milhões de consumidores localizados na região. Em 2004, a Nestlé criou a diretoria regional Norte/Nordeste com um único desafio: criar um modelo que atendesse às necessidades desses consumidores. A nova estrutura permitiu à companhia desenvolver produtos e ações de comunicação voltadas para o público local, como embalagens menores e até um café solúvel mais suave.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(José Pacheco Maia Filho)