Fundo de investimento compra floresta no Sul do Brasil

26/06/2008

Fundo de investimento compra floresta no Sul do Brasil

 

Numa operação em que desembolsou perto de US$ 200 milhões segundo fontes do mercado, o fundo de investimento canadense Ontário Teachers Pension comprou do Grupo Zugman, que atua nos estados do Paraná e Santa Catarina e tem sede em Curitiba, cerca de 15 mil hectares de florestas de pinus e mais de 23 mil hectares de terras. A operação foi assessorada pela Silviconsult, empresa de consultoria em negócios florestais, com sede na capital paranaense e segue uma onda de investimentos de fundos de pensão internacionais e mesmo nacionais no Cone Sul da América Latina em um setor onde há perspectiva de falta de matéria-prima e muita demanda reprimida.

Empresas como o Grupo Batisttella e a Norske Skog também já se desfizeram de parte de suas florestas e, segundo Jefferson Mendes, diretor da Silviconsult, "vender é uma estratégia para se fazer a capitalização da empresa e permitir a ampliação do leque de investimentos na indústria ou em outros setores, sem perder a garantia do fornecimento da matéria-prima florestal".

A negociação foi realizada no Brasil por uma TIMO (Timber Investment Management Organization), um tipo de empresa que busca oportunidades de mercado para os fundos de pensão internacionais - a RMS - Resource Management Services, com sede em Brimingham-Alabama e uma das maiores empresas de gerenciamento de investimentos florestais no mundo, com ativos no valor aproximado de US$ 3,5 bilhões. Foi a primeira aquisição da RMS fora dos Estados Unidos.

O Grupo Zugman é dono das madeireiras Lavrasul, Brascomp e Lavrama, produzindo perto de 22 mil metros cúbicos mensais de compensados, portas e molduras, e exportando 97% de sua produção. Desde o primeiro contato, até o fechamento do negócio, "foram dez meses de negociações", informou Jefferson Mendes. Segundo ele, há 15 anos houve uma intensa movimentação no setor florestal dos Estados Unidos com a entrada dos fundos de pensão neste mercado considerado de baixo risco e de longo prazo.

A onda veio para o Brasil e, no momento, vive-se um desdobramento dela com a procura de empresas florestais para a formação de sociedades ou dentro da estratégia conhecida como green field, onde os fundos compram terras e plantam as florestas a partir do zero. Como o rendimento do pinnus e eucalipto no Sul do Brasil, Argentina e Uruguai é muito superior ao do resto do mundo, "há muitos negócios como o da Zugman em curso", diz o consultor. "O Brasil tem 6 milhões de hectares reflorestados em 10 anos vai precisar de 12 milhões de hectares. Há muito espaço para crescer por aí", acrescenta.

De fato, a demanda por madeira certificada das indústrias de celulose e papel, painéis de madeira reconstituída, siderurgia a carvão vegetal e produtos de madeira sólida, vai obrigar a investimentos já anunciados que superarão US$ 20 bilhões, durante os próximos dez anos, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf). Além do mais, atualmente, as florestas plantadas de pinnus e eucalipto geram uma produção de 29 milhões de metros cúbicos anuais e o consumo está localizado em 32 milhões de metros cúbicos anuais, isso quer dizer que parte dele ainda é alimentado por florestas nativas, o que há muito tempo não é mais indicado.

Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10