Netuno criará tilápia em pleno sertão

27/06/2008

Netuno criará tilápia em pleno sertão

 


A 455 km do litoral, na cidade sertaneja de Belém do São Francisco (PE), a Netuno Alimentos erguerá uma unidade industrial para beneficiar 40 mil toneladas de peixes por ano. O sertão não virou mar, mas, com um investimento de R$ 90 milhões, a empresa usará as águas do rio São Francisco para cultivar tilápias dentro de tanques flutuantes feitos de redes. 

Com cerca de 90% de sua produção focada em peixes de água salgada, a Netuno pretende ampliar a oferta de pescados de água doce, como tilápias, surubim e beijupirá. "São peixes que estão tendo uma boa aceitação tanto no mercado interno quanto no exterior", afirma Sérgio Colaferri, presidente da Netuno. Metade da produção de Belém de São Francisco será absorvida pelos brasileiros e o restante irá para os consumidores americanos e asiáticos. 

Hoje, a companhia cria tilápias em Paulo Afonso (BA), também nas águas do "Velho Chico". Porém, já em 2009 a planta atingirá a capacidade máxima de processamento. Por isso o novo investimento. 

É a tilápia, segundo Colaferri, que deve dar um grande impulso ao crescimento das vendas da Netuno. Hoje, o peixe de água doce representa 10% do faturamento de R$ 230 milhões da companhia e, em dois anos, deve alcançar 30%. 

Neste ano, devem ser comercializadas 8 mil toneladas do peixe, e a expectativa é alcançar 20 mil toneladas em 2009. Quando a unidade de Belém de São Francisco estiver operando, o que é esperado para 2010, a projeção é que em quatro anos se atinja a capacidade máxima de processamento. 

Cerca de 60% dos peixes serão criados pela própria Netuno em cinco cidades pernambucanas: Santa Cruz do Capibaribe, Floresta, Belém de São Francisco, Petrolândia e Itacuruba. O processo deve empregar 900 pessoas dessas cidades do sertão que têm entre 3 mil e 20 mil habitantes. O restante virá de terceiros. Os alevinos serão fornecidos pela Netuno, que terá um centro para o desenvolvimento deles dentro da nova unidade. 

Até chegarem ao congelador do consumidor, os peixes passarão seis meses dentro do São Francisco, um processo que ainda depende de licença ambiental. Depois, serão transportados vivos, em tanques de água, até a indústria, que fica às margens do rio. Só então serão abatidos e transformados em filés, postas e até em pratos prontos, tipo de produto que a Netuno ainda não fabrica atualmente. 

Além de transformar os peixes em filés, empanados e pratos prontos, a Netuno irá fabricar na nova unidade industrial farinha e óleo de peixe, biodiesel e até mantas de couro, que serão revendidas à indústria calçadista. "É a forma que encontramos de aproveitar 100% do animal, não criando dejetos", explica Colaferri. 

O projeto maior da Netuno é se tornar uma gigante no mercado de peixes e frutos do mar, a exemplo do que já acontece com Sadia e Perdigão para frangos e suínos. 

Hoje, o mercado brasileiro de pescado é bastante fragmentado. De olho no potencial de crescimento da empresa, que planeja lançar ações na bolsa de valores em 2010, o BNDESPar fez um aporte de R$ 60 milhões em 2006 para ficar com 33% do capital da Netuno. Parte desses recursos será usado na unidade de Belém de São Francisco, que também deve ter financiamento do Banco do Nordeste.