Algodão do Vale do Iuiú começa a ser comercializado
Diretamente do município de Guanambi, saíram, no último sábado, as duas primeiras carretas carregadas com o algodão plantado e colhido no Vale do Iuiú, no sudoeste baiano.
O destino é São Paulo, mercado consumidor do produto trabalhado pelas mãos de 300 agricultores familiares assistidos pelo Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cotonicultura no Vale do Iuiú, executado pela Secretaria da Agricultura (Seagri), por meio da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA).
Criada em 2002, a iniciativa está em sua quinta versão e conta com um investimento de R$ 3,5 milhões na safra 2007/2008.
A previsão é de que mais sete carretas cheias de algodão saiam de Guanambi, nas próximas semanas.
Cada uma delas carrega 25,5 mil quilos do produto, o equivalente a 130 fardos de algodão em pluma – sem o caroço. Somando com as duas carretas que já saíram, o total chega a 229,5 mil quilos de algodão.
Resultado repartido – Fazendo as devidas contas, o resultado são R$ 685,5 mil que serão repartidos entre os agricultores, a depender de quanto cada um colheu.
Quanto ao caroço, o saldo chega a R$ 60 mil, que também vão parar no bolso dos produtores.
O próximo destino das carretas com o algodão baiano é o estado da Paraíba.
Para que esse resultado fosse possível, a EBDA ofereceu toda a assistência técnica necessária aos agricultores de oito municípios da região conhecida como Vale do Iuiú – Malhada, Iuiú, Palmas de Monte Alto, Guanambi, Pindaí, Urandi, Brumado e Livramento de Nossa Senhora.
Num total de área plantada de 2,1 mil hectares, a produtividade média de cada agricultor foi de 130 arrobas por hectare na safra 2007/2008.
No intermédio do processo, estão 32 associações de produtores e 80 técnicos da EBDA.
Kit tecnológico – Em busca do melhor entendimento possível com os homens do campo, também foi criado um comitê gestor formado por dois representantes de cada cidade.
A cada agricultor é entregue um kit tecnológico que garante técnicas modernas de preparo do solo e subsolagem, semente certificada, fertilizantes, defensivos agrícolas, inseticidas, pulverizadores, pluviômetro e equipamento de proteção individual (bota, luva, viseira e outros apetrechos).
Ildete Teixeira Fraga, presidente da Associação de Produtores de Enchu (localidade pertencente a Mutans, distrito de Guanambi), elogia o apoio técnico oferecido pela EBDA.
"Depois disso, tudo melhorou, desde a semente à qualidade do fungicida. Sem falar na atenção dispensada a nós pelos técnicos que vêm a campo nos orientar."
Mão-de-obra – Cada agricultor cultiva três hectares de terra e, geralmente, utiliza a mão-de-obra familiar.
Além da assistência técnica, a EBDA se tornou um catalisador do processo, passando a administrar o beneficiamento e comercialização do algodão, evitando que os produtores fiquem reféns dos atravessadores.
Os resultados são festejados pelo agricultor Aureliso Costa de Jesus, que colheu nessa safra 120 arrobas na localidade de Canabrava, distrito de Malhada.
kit tecnológico oferecido pela EBDA realmente funciona. Com a orientação, consegui uma produtividade maior, o que deverá me render R$ 1,8 mil a R$ 2 mil por hectare nessa safra", diz ele, que representa a cidade de Malhada no comitê gestor.
Geração de empregos – Para o engenheiro agrônomo, extensionista da EBDA e coordenador do programa Ernesto Ledo, ainda há avanços a conquistar.
"A idéia é consolidar esse processo, gerando não apenas renda para os produtores, mas também conhecimento técnico-científico, pesquisa e desenvolvimento na região", afirma.
Ele argumenta que a cadeia produtiva do algodão é a que mais gera empregos, perdendo apenas para a construção civil.
"A geração de postos de trabalho vai desde o lavrador que planta até a atendente da loja que vende a camisa de algodão. Pelo menos, um emprego por hectare é gerado, o dinheiro ativa a economia local e passa pela mão de muita gente, incluindo os setores de fiação e tecelagem", diz Ledo.
Somente o agricultor Elimar Teixeira Fraga dá trabalho a 15 lavradores da localidade de Enchu na época da colheita.
Em seus 3,5 hectares plantados, ele alcançou, este ano, a marca de 630 arrobas, o que lhe dará renda para o sustento de sua família.
"A assistência oferecida pela EBDA também nos preparou para o combate às pragas, como o barbeiro bicudo, o pulgão e as lagartas", conta ele.
Os inseticidas distribuídos nos kits ajudam na diminuição da população dessas pragas, o que garante o alívio aos agricultores.
Preços de mercado
R$ 12,50 o algodão com o caroço – o chamado algodão em rama ou em capulho
R$ 0,50 o quilo do caroço do algodão
R$ 44,93 líquidos é o lucro do agricultor por arroba de algodão em pluma, sem caroço
O caroço é uma oleaginosa muito valorizada no mercado, com uso garantido na produção de ração, óleos e cosméticos. Já a pluma do algodão é utilizada na fabricação de tecidos e cotonetes, sem falar no uso farmacológico do produto.