Produção de pescado é rudimentar
Hoje, dia de São Pedro, o mais famoso pescador da história ficaria encabulado com a produção pesqueira brasileira. Apesar dos 8,5 mil quilômetros de costa, o Brasil produz apenas 1 milhão e 50 mil toneladas de peixes, moluscos e crustáceos por ano, movimentando R$3,2 bilhões. É quase nada diante dos 45 milhões de toneladas produzidas pela China. O peixe brasileiro ainda é predominantemente produzido por técnicas rudimentares: 60% do pescado é oriundo de 613 mil artesãos, na sua maioria analfabetos e com pouca mobilização.
Hoje, somente 26%, ou 270 mil toneladas, de pescado no país por ano vem da produção em cativeiro (aqüicultura). A proposta do governo é chegar a 50%, criando ainda um ambiente no país que possibilite alcançar investimentos entre R$5 bilhões a R$6 bilhões por ano no setor de pescado em dez anos.
Em julho será lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva o Plano de Desenvolvimento da Aqüicultura e Pesca Brasileira 2008/2011. ‘‘Um dos fatores responsáveis é porque o preço médio está acima das outras carnes”, disse o ministro Altemir Gregolin, da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca. O plano é reduzir o preço do produto no mercado interno entre 20% e 30%, de forma a incentivar o consumo.
Segundo o ministro, a média mundial de consumo do pescado é de 16,5kg por habitante/ano, enquanto o recomendado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) é de 12kg. Mas no Brasil ele não tem ultrapassado os 7kg. Uma das saídas para resolver o problema será o de reduzir a cadeia produtiva, desestruturada e longa. Para isso, precisa melhorar a infra-estrutura, com a construção de terminais pesqueiros e centros de integração, que contarão com fábricas de gelo. Cerca de 40% dos recursos serão aplicados na infra-estrutura. O governo trabalha com três eixos.
O primeiro visa a recuperar a pesca artesanal, com qualificação profissional e assistência técnica. Além disso, pretende recuperar os estoques na costa marítima e ampliar a produção no oceano. Para isto é necessário construir e restaurar embarcações. O terceiro ponto é destinado à criação de pescado em cativeiro, além de ostras, mariscos e mexilhões. A preocupação do governo não vem de agora. O programa a ser lançado vem reforçar outro de 2005, chamado de Águas da União, que já pretende aumentar em 700 mil toneladas a produção nacional até 2013, tanto da pesca artesanal quanto da industrial. Mas o desafio ainda é grande.
Também contribuíram para este cenário o financiamento escasso, a falta de planejamento e, conseqüentemente, a pesca predatória. (AG)