Projeto do Senai prevê a aplicação industrial do sisal em larga escala
Ambientalmente mais correto, mais resistente e com maior potencial de geração de renda para regiões carentes.
Estas são apenas algumas das vantagens da substituição do plástico e da fibra de vidro por produtos derivados do sisal.
Nesse sentido, o Senai apresentou ontem à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) um projeto para o desenvolvimento de soluções que permitam a aplicação industrial do sisal em larga escala.
Uso em veículos – A proposta do Senai, que já desenvolveu protótipos usando sisal como matéria-prima de diversos objetos feitos tradicionalmente de plástico, é de levar a fibra para a indústria de ponta, como a automotiva, a da construção civil ou de eletrodomésticos.
"Se substituíssemos 20% do acabamento de carros por peças de fibra de sisal, já teríamos destinação para 45% de toda a produção nacional, gerando demanda por expansão", explica a pesquisadora de polímeros do Senai, Joseane Dantas Viana.
Biodegradável – Para se ter uma idéia, um carro de passeio tem duzentos quilos de plástico e o produto do sisal é biodegradável. A pesquisadora aponta, ainda, que esse percentual de um quinto de mistura é considerado tradicional, dando margem a presença bem maior de fibra natural.
Consultor da indústria automotiva, Luc de Ferran também se mostrou otimista em relação à novidade. "O sisal demanda menos energia na produção e tem impacto ambiental muito menor, se comparado à fibra de vidro, por exemplo", disse.
Ele afirmou ainda que a Ford já vem ensaiando o uso deste tipo de matéria-prima de forma experimental.
Estado quer dinamizar ciclo produtivo do setor sisaleiro
O desenvolvimento de soluções tecnológicas para plásticos vegetais vai ao encontro da política da atual gestão estadual.
"O sisal é prioridade estabelecida pelo governador Wagner e quanto mais ações tivermos nesse sentido será um grande avanço para todo o nosso estado, mas em especial para os quarenta municípios do semi-árido que já têm o sisal como importante fonte de renda", declarou o secretário de CT&I, Ildes Ferreira, que lembrou ainda que 2009 foi declarado pela ONU como ano internacional das fibras naturais.
"Vamos ter um congresso internacional no Brasil, no primeiro semestre, e outro na Índia, no segundo semestre, e espero que já tenhamos resultados concretos para apresentar", completou.
Cadeia produtiva – Agora, serão apontadas soluções para que a fibra de sisal possa ter uma cadeia produtiva regular, o que gera confiança dos grandes empresários em investir na substituição parcial.
A continuidade no fornecimento, aumento da produtividade e a redução dos custos são as próximas preocupações dos pesquisadores.
Uma outra vantagem da fabricação de peças que substituam o plástico é o aproveitamento da fibra curta de sisal, que hoje é muito pouco utilizada no Brasil.
Tecnologia – Com o objetivo de dinamizar e ampliar o ciclo produtivo do setor sisaleiro na Bahia, o Governo do Estado está articulando uma série de ações que contemplam capacitação profissional, apoio a pesquisas, soluções tecnológicas, elevação da produtividade e desenvolvimento de novos usos para o sisal.
Dois projetos tramitam no Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), visando um melhor aproveitamento do sisal.
Outra novidade que está sendo trabalhada é a substituição da máquina de desfibrar sisal, atualmente utilizada em larga escala, por um equipamento mais seguro e eficiente, evitando mutilações de trabalhadores.
Bahia responde por mais de 90% de toda a produção nacional da planta, estimada em 174 mil toneladas de fibra seca ao ano.