Riocon investe em linha de produção no interior

07/07/2008

Riocon investe em linha de produção no interior 
 

 

Depois de investir cerca de R$3,6 milhões na nova unidade de produção de farelo de algaroba, no município de Abaré, na divisa com Pernambuco, a Fazendas Reunidas Rio de Contas (Riocon), do Grupo Odebrecht, com sede no município de Manoel Vitorino, planeja para 2009 aplicar mais R$2 milhões na introdução da linha de extração de goma, também na região de Abaré. Apesar do farelo da algaroba ser largamente empregado como ração animal, a goma, segundo o controlador Eduardo Odebrecht, será exportada para utilização como aditivo na produção de alimentos para consumo humano, por uma empresa da Dinamarca.

Antes da goma começar a ser extraída, a empresa iniciará as exportações da semente da vagem. A previsão é mandar para o mercado externo 20% das cinco mil toneladas que serão produzidas por ano. Outra linha está sendo montada, a de mistura múltipla, um suplemento mineral proteinado e energizado indicado para ruminantes.

Ainda este ano, a Riocon investirá mais R$1,5 milhão na unidade de Manoel Vitorino, para incrementar a cadeia produtiva sustentável de caprinos e ovinos, em parceria com a Baby Bode, através de sistema integrado com pequenos criadores. “Em sete anos, pretendemos chegar a 50 mil matrizes, o suficiente para fornecer à Baby Bode 65 mil cabritos e cordeiros por ano”, estimou Odebrecht. Ele frisa que a Riocon, empresa que soma 12 mil hectares, atua também nos municípios de Jequié, Barra da Estiva e Iramaia.

As regiões de Manoel Vitorino e Abaré, ressalta o empresário, são as que ostentam os piores índices de desenvolvimento humano do estado, o que mostra a importância dos investimentos feitos pelo grupo, que gera renda para cerca de 150 famílias de pequenos produtores de algaroba, além de criadores de caprinos e ovinos. A algaroba é uma leguminosa de alto valor nutritivo, originária de áreas desérticas e que, por isso, se adaptou muito bem ao solo do semi-árido baiano.

A Bahia é pioneira no Brasil em pesquisas sobre a cadeia produtiva da algaroba. Segundo Eduardo Odebrecht, a ração para ruminantes e avestruzes é resultante de uma tecnologia avançada desenvolvida no estado, com mais da metade de farelo na composição, associado a soja, milho, alfafa e o chamado núcleo mineral, que depende da indicação do produto. “A algaroba supera o trigo e o milho em proteínas e aminoácidos”, explica, chamando atenção para outras três características que devem ser levadas em conta: a adaptação ao solo do semi-árido, predominante nas regiões mais pobres do estado; o fato de não ser commoditie, como a soja e o milho, e, portanto, não ter o preço sujeito a cotação internacional; e a parceria com a agricultura familiar.