Japão quer ampliar rastreabilidade
O Japão, maior importador líquido de alimentos do mundo, planeja estender o sistema de rastreabilidade da carne bovina para todos os produtos agrícolas, com impacto sobre as vendas para seu mercado. O governo japonês quer adotar a medida em reação à crescente perda de confiança da população na segurança dos alimentos, depois de escândalos envolvendo produtos importados que eram vendidos com sendo japoneses.
O Japão importou US$ 75 bilhões em alimentos no ano passado e exportou apenas US$ 4 bilhões, o que dá uma idéia do impacto que a medida terá.
A União Européia, maior importador em geral de alimentos do mundo, com US$ 96 bilhões (exportações de US$ 76,6 bilhões) em 2007, foi o primeiro a reforçar o sistema de rastreabilidade - por conta das restrições do bloco, as exportações brasileiras de carne para lá caíram bruscamente.
Tóquio adotou sua lei em 2003 para monitorar a doença da "vaca louca". Todo o gado no país tem identificação de 10 números, permitindo as autoridades reagir rapidamente se surgirem problemas. A nova legislação, ampliada a todos os alimentos, pode entrar em vigor no ano que vem. Exigirá todas as informações sobre produção, processamento, distribuição e venda dos alimentos, obrigando as companhias importadoras e locais a colocar etiquetas nos produtos.
O plano deve ser completado com 50 medidas, inclusive aumentando o número de inspetores sanitários para alimentos. O governo do primeiro-ministro Yasuo Fukuda sinaliza o que é chamado de uma "revolução silenciosa", já que historicamente o governo dava mais ênfase na proteção e promoção dos interesses do agronegócio sobre os interesses do consumidor, segundo a imprensa local.
Analistas japoneses dizem que o país está cinco anos à frente dos parceiros em relação à qualidade do controle sanitário, o que não foi suficiente para evitar escândalos com importação de alimentos da China. O Japão compra mais alimentos da China do que dos Estados Unidos ou outros parceiros.
O Brasil teve de esperar mais de 20 anos para poder exportar manga ao Japão. Atualmente, negocia para enfim poder exportar carne suína de Santa Catarina, Estado livre de febre aftosa sem vacinação, ao país.