Uvas e vinhos proporcionam oportunidades
Embora no Vale do São Francisco haja uma grande variedade de frutas, a exemplo da manga, do melão e da melancia, a vedete da fruticultura é, sem dúvida, a uva. Denominada de vitivinicultura, a cultura de vinhas e fabricação de vinhos é quem cria o maior volume de postos de trabalho na região. Mas isso não é à toa, uma vez que a região – incluindo a área de Pernambuco – responde por aproximadamente 95% das exportações brasileiras de uvas de mesa (destinada ao consumidor) e manga, o que equivale a aproximadamente US$300 milhões por ano, gerando mais de 60 mil empregos.
Produtores explicam que a vantagem dos produtores da região do São Francisco é que as condições climáticas e a abundância de água, devido à irrigação, permitem mais de uma safra por ano. E mais. Em épocas em que nenhuma parte do mundo está produzindo. “No vale só existem três meses que não produzimos uva, de janeiro a março, por causa das chuvas. Os nove meses restantes produzimos normalmente, sempre respeitando o ciclo da videira, da poda à colheita, de 180 dias”, afirma o sócio da Fazenda Ouro Verde, localizada no município baiano de Casa Nova e de propriedade da Miolo Wine Group, o enólogo Henrique Benedetti.
O empresário gaúcho conta que atualmente a fazenda – que produz dois milhões de garrafas, entre espumante e vinho por ano – emprega 140 pessoas da própria região, distribuídas entre os trabalhos do campo (100) e da vinícola (40). Segundo Benedetti, cada trabalhador recebe R$500 mais alimentação e transporte, e em breve vão receber também assistência médica. “Embora não produzimos de janeiro a março, os nossos colaboradores permanecem conosco o ano todo e neste período realizam a manutenção do vinhedo, fazendo replantio de algumas mudas, irrigação e concerto de algumas cercas de sustentação”, destaca ele.
Benedetti adianta que a Fazenda está expandindo a sua produção a cada ano. A meta da empresa na Fazenda, que hoje cultiva uva em 150 hectares, é plantar mais 50 hectares por ano, chegando a 400 hectares plantados em 2014. “Para atender esse crescimento vamos precisar quadruplicar o nosso número de funcionários. Em maio do ano que vem, em vez de 150 hectares plantados, vamos plantar 200 hectares, e isso significa mais postos de trabalho”, relata o dirigente.
Quanto aos pré-requisitos necessários para conquistar uma vaga nos vinhedos, o sócio da Fazenda Ouro Verde ressalta que para atuar no campo eles exigem pelo menos 1º grau completo, bom relacionamento e experiência com uvas de mesa. Já para atuar na produção dos vinhos e espumantes, é necessário possuir um curso técnico de enologia ou vitivinicultura, oferecido pelo Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), de Petrolina (Pernambuco), além de bom relacionamento em equipe.
Mercado - Nos últimos cinco anos as exportações brasileiras de vinhos cresceram mais de cinco vezes, saltando de US$772 mil para US$4 milhões. Só a Miolo já exporta para 20 países. Os vinhos baianos representam 10% das exportações da Miolo, devendo saltar para 30% até 2012. Mais da metade das vendas para o mercado externo foram concretizadas por empresas ligadas ao projeto Wine From Brasil, uma parceria da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) com o Instituto Brasileiro de Vinhos (Ibravin), iniciada em 2004 e que já conta com 25 fábricas nos estados da Bahia, do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.