Empresa se transforma em ferramenta para alavancar ações de política externa

14/07/2008

Embrapa abre oportunidade no exterior

 

A excelência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) a transformou em ferramenta da poJítica externa brasileira, reforçando a imagem de liderança solidária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre países latino-americanos e africanos. Além de prestígio político, os convênios bilaterais de cooperação técnica da Embrapa, que também são feitos com países desenvolvidos, geram oportunidades para empresas brasileiras fornecedoras de insumos, máquinas e equipamentos.

"A Embrapa é um instrumento da política externa. A área de cooperação é muito importante", ressaltou o embaixador Luiz Henrique Pereira da Fonseca, diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC). A instituição é o órgão do Ministério das Relações Exteriores que coordena todos os programas de cooperação técnica internacional mantidos pelo Brasil.
Em praticamente todas as viagens internacionais do presidente Lula, seus anfitriões demonstram interesse pelo trabalho da estatal. Não bastasse isso, a diretoria da empresa recebe por semana até três missões estrangeiras atrás de parcerias. Na terçafeira, por exemplo, os executivos da Embrapa receberam uma comitiva liderada pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Israel, Shalom Simhon.

Atualmente, a Embrapa mantém parcerias com 49 países. As principais demandas são de tecnologias para a produção de alimentos e biocombustíveis. "A questão alimentar é o grande tema dos dias de hoje e o Brasil tem condições de ajudar muito. Temos o que oferecer nessa área", destacou o diretor da ABC. Em relação ao etanol e ao biodiesel, é de interesse do Brasil que mais países produzam esses combustíveis. Só assim eles virarão commodities. As recentes críticas de que o álcool seria um dos responsáveis pela alta dos preços dos alimentos, no entanto, fez diminuir o interesse por projetos no segmento.

A Embrapa transfere técnicas que elevam a produtividade da agricultura tropical e da produção em áreas de cerrado ou savana. Grande parte dos países em desenvolvimento encontra-se em regiões com esses tipos de vegetação. Em outros convênios, o foco é o conhecimento de sistemas e dinâmicas da criação de animais. É o caso da Venezuela, que recebeu a ajuda da Embrapa para implementar projetos de avicultura familiar. A empresa também é procurada para auxiliar no fortalecimento de centros de pesquisas, como acontece com o Instituto de Inovação Agropecuária da Bolívia e entidades de Angola e do Congo.

"O Brasil tem uma vocação humanitária. Temos obrigação de transferir conhecimentos, particularmente a países da América Latina e da África. A Embrapa recebeu ajuda dos EUA em seu começo", comentou o chefe da assessoria internacional da instituição, Elisio Contini. "Isso coaduna com a política externa brasileira. Somos executores das políticas do governo. Se conseguimos ajudar esses países, não é de graça. Eles serão gratos. Quando precisarmos, irão nos ajudar", acrescentou Contini. Para o embaixador de Honduras em Brasília, Victor Manuel Lozano Urbina, a Embrapa é reconhecida como a maior instituição latino-americana de pesquisa em tecnologia agropecuária e uma das maiores e melhores de todo o mundo. A internacionalização da instituição, argumentou o diplomata, aproxima o Brasil de outros. países.

"O Brasil é o líder da América Latina. O presidente Lula está consolidando uma liderança que é indiscutível", destacou o embaixador. "Queremos uma sede da Embrapa na América Central. Os presidentes da região discutirão isso com o presidente Lula no fim do ano, em Salvador." As parcerias bilaterais de cooperação também beneficiam a Embrapa. Os pesquisadores da instituição têm acesso a novas tecnologias em países desenvolvidos, que depois são trazidas e empregadas no Brasil.