Ninguém quer o 'boi pirata' de Minc

15/07/2008

Ninguém quer o 'boi pirata' de Minc


 


Mesmo em tempos de falta de boi no mercado, ninguém arriscou fazer um lance no primeiro leilão de gado apreendido em áreas desmatadas da Amazônia, promovido pelo governo e realizado ontem pela Conab. O leilão foi remarcado para a próxima segunda-feira, dia 21. 


As 3.500 cabeças apreendidas em uma unidade de conservação no Pará eram da raça nelore e "anelorada - 2.100 vacas, 45 touros, 800 novilhos e 555 bezerros - e foram a leilão por um valor inicial total de R$ 3,9 milhões. O leilão eletrônico contou com a participação de 14 Bolsas de Mercadorias do país. O desinteresse do público, segundo o governo, se deveu ao preço. 


"O preço foi considerado alto porque o boi não está na beira da estrada. Tem o custo de transporte, que é do comprador", afirmou Flávio Montiel, diretor de proteção ambiental do Ibama. "A gente acredita que isso possa levar a um deságio [no próximo leilão]". 


O gado está retido na Estação Ecológica Terra do Meio, em Altamira, a 921 quilômetros de Belém. Entre hoje e amanhã a Conab, juntamente com o Ministério do Meio Ambiente e o do Desenvolvimento Social, analisarão nova proposta mínima de preço. 


Para o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc - que alardeou no mês passado a chamada "Operação Boi Pirata" -, a reação do mercado foi "normal". Ele disse acreditar que "o problema estará solucionado no próximo leilão" e reafirmou que a política de apreensão de bois em áreas desmatadas na Amazônia seguirá. 


Nos bastidores, no entanto, algumas críticas foram levantadas. Uma delas é a forma como o leilão foi realizado: de modo atabalhoado. "Alguns arranjos na estratégia deixaram de ser feitos", disse uma fonte do governo que pediu para não ser citada. "As empresas mantiveram cautela para não se queimar na região". 


Segundo ele, faltou conversar melhor com os candidatos, "até para tranqüilizá-los" em relação a possíveis liminares. Na semana passada, o fazendeiro proprietário do gado entrou com um agravo (recurso) contra a decisão judicial. O recurso foi negado. 


"Se, no futuro, vier algum recurso a favor do criminoso, nós vamos brigar. O comprador pode ficar tranqüilo. Em último caso, o governo é que terá que ressarcir o fazendeiro", afirmou Montiel.