Doha merece atuação mais incisiva, diz CNA
O setor privado agrícola quer uma posição mais ambiciosa do Brasil na Rodada de Doha, uma vez que País é o maior fornecedor de alimentos do mundo. Por esta razão, o Fórum Permanente de Negociações Agrícolas Internacionais, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), encaminhou ontem uma carta ao Ministério de Relações Exteriores em que pedem mais esforços das autoridades brasileiras para promover a abertura comercial na reunião de ministros que acontece em 21 deste mês em Genebra, Suíça.
A CNA quer que o discurso do Brasil se distancie dos da China e Índia que não são grandes exportadores agrícolas. Tais países são aliados do Brasil no Bric, que reúne os quatro principais países emergentes do mundo incluindo a Rússia. Países como China e Índia, embora não sejam grandes exportadores agrícolas eles querem reservar o mercado local para os produtores rurais internos. Além disso, a entidade defende a redução de tarifas agrícolas por parte dos países protencionistas.
"Queremos uma proposta mais ambiciosa e que se faça menos concessões", disse o presidente do Fórum Permanente de Negociações Agrícolas Internacionais, Gilman Viana Rodrigues. A CNA defende ainda consenso entre os países do Mercosul, pois hoje a divergência que existe principalmente entre Brasil e Argentina impedem avanços nas negociações.
Segundo o documento enviado ao Itamaraty, as entidades agrícolas reconhecem que a semana de reuniões de ministros, em Genebra, é a última oportunidade para se fechar um acordo na Rodada de Doha, ainda em 2008. Ainda, de acordo com a carta, as negociações precisam encontrar um desfecho para que não se reduza a importância da Organização Mundial do Comércio (OMC) e dos esforços multilaterais de liberação comercial, já que as discussões estão em curso há mais de sete anos. Para ele, se o acordo não vingar os mais prejudicados serão os países produtores agrícolas, como o Brasil.
Para ele, o posicionamento do Brasil precisa ser ambicioso. "Na área internacional de desenvolvimento se criou um termo que se resume em ambição", disse. "Quem vai negociar tem que ser um agente que quer resultado. Quanto mais resultado ele tem maior é o fermento chamado ambição".
Segundo a carta, o crescimento da produção agrícola nacional requer expansão da demanda, seja por meio do consumo interno, seja pela ampliação das exportações. Rodrigues argumenta que a pressão inflacionária mundial, em razão do consumo acima da oferta, não deve facilitar as negociações.