Produção menor de maçãs e bananas afeta exportação brasileiras de frutas

29/07/2008

Produção menor de maçãs e bananas afeta exportação brasileiras de frutas

 

Patrick Cruz

O Brasil encerrou o primeiro semestre com queda no volume de exportações de frutas frescas, mas aumento no valor dos embarques. No total, o país exportou 353 mil toneladas entre janeiro e junho, um recuo de 5,2% em comparação com as 372,5 mil toneladas do mesmo período de 2007. As vendas externas renderam US$ 244,1 milhões, um crescimento de 19,9% também em comparação com o mesmo período de 2007, de acordo com os dados compilados pelo Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf).

O Brasil embarcou menos maçãs e bananas, justamente as duas culturas que lideram o ranking das exportações de frutas do país. O volume exportado de maçãs caiu 3,1%, para 103,2 mil toneladas. Os embarques de bananas, por sua vez, recuaram 29,3%, para 70,3 mil toneladas. 

O desempenho mais problemático foi o da banana, que viu cair também a receita com as exportações. Os embarques renderam US$ 19,2 milhões, montante 18,9% menor que o do primeiro semestre de 2007. Em abril, cerca de um terço da área dedicada à fruticultura no Rio Grande do Norte, um dos maiores produtores de frutas do país, foram afetadas pela enchente. O Estado é o maior exportador brasileiro de bananas. Assim como na fruticultura, as cheias abalaram a produção potiguar de camarões. 

"Algumas culturas, com uma produção de melhor qualidade nesta safra, conseguiram receita maior, mesmo com a queda do dólar", afirma Maurício de Sá Ferraz, diretor do Ibraf. "De modo geral, quase todas as principais frutas conseguiram ampliar o volume ou, pelo menos, mantê-lo". Entre as 20 principais frutas nas exportações brasileiras, apenas abacaxis, uvas e tangerinas também registraram queda nos volumes - os recuos foram de 20,5%, 44% e 75,1%, respectivamente. 

Diferentemente da banana, a maçã contrapôs o volume menor de embarques com um aumento de receita. As exportações brasileiras da fruta somaram US$ 73,6 milhões, um crescimento de 13,6% em comparação com o primeiro semestre do ano passado. 

Como no caso da banana, o clima causou uma oferta menor da fruta no mercado, o que ajuda a explicar a redução dos embarques, afirma Pierre Nicolas Perez, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM). 

"O clima afetou a produção de maçã em todo o hemisfério sul", afirma ele. No Brasil, chuvas em demasia na época da florada impediram, em parte, a formação das frutas nos pomares. Em janeiro, uma onda de frio fora de época atrapalhou o desenvolvimento das maçãs, segundo ele. 

A qualidade do fruto, que cresceu na safra que terminou de ser colhida entre abril e maio, em contrapartida, possibilitou o repasse de preço, segundo Perez. "Conseguimos um fruto de qualidade excepcional. Sem isso, não conseguiríamos um preço melhor no mercado externo", disse. Ele afirma que, em virtude da valorização do real, que tira a competitividade das exportações brasileiras, o embarque de maçãs "surpreendeu", mesmo feita a ressalva do aumento de preço ocorrido com a oferta de frutas de melhor qualidade. 

Perez aposta em um mais um bom desempenho no segundo semestre. "Não há nada para mudar esse cenário" disse. Um dado que pode preocupar a evolução da safra que será colhida no primeiro semestre de 2009 é a ausência de frio nas últimas semanas nas regiões produtoras - o frio é essencial para a obtenção de frutas de boa qualidade. "Em junho, a temperatura foi boa, mas, em julho, quase não fez frio. Vamos ver daqui para a frente".