Safra menor pressiona as cotações do açúcar

31/07/2008

Safra menor pressiona as cotações do açúcar 
 
 

 

Mesmo sem sustentação, os preços do açúcar voltaram a subir ontem na CME Futures (antiga Bolsa de Nova York). Movimentos especulativos fizeram o contrato com vencimento em outubro encerrar o pregão em alta de 4,5%, a 13,40 centavos de dólar por libra-peso. Os papéis para marco fecharam o dia em 14,64 centavos de dólar por libra-peso, alta de 3,38%.


Carlos Costa, consultor de gerenciamento de risco da FCStone explica que alta tem relação com os dados divulgados na terça-feira pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), em que se confirma uma safra brasileira de açúcar menor. No entanto, ele pondera que essa recuperação não se mostra sustentada em número de contratos negociados. "Não há muitos agentes operando. Hoje (ontem) foram negociados 85 mil contratos, volume baixo se considerar que em dias bons os negócios envolvem em torno de 120 mil papéis", compara.


A Unica confirmou que até agora a safra brasileira de cana está com mix 60,5% para álcool e 39,5% para açúcar e que o nível de ATR (açúcar) está 5,6% abaixo do verificado em igual período do ano passado.


Costa acrescenta que a falta de sustentação no açúcar se reflete nos descontos ainda presentes nos portos brasileiros. "Na terça-feira, o desconto estava em 87 pontos, o que significou para ontem um preço de 11,95 centavos de dólar por libra-peso", diz o especialista.


Já soja e milho fecharam em leve alta ontem na Bolsa de Chicago (CBOT). O contrato de milho com vencimento em setembro fechou em US$ 6,0150 o bushel, alta de 1,26% e a soja para o mesmo mês em US$ 13,9550 o bushel, alta de 0,66%.


Leonardo Menezes, analista da consultoria Céleres, explica que as duas commodities estão com preços em fase de consolidação, depois de terem inflado em junho com a especulação em cima das fortes chuvas nas lavouras americanas. "A soja saiu do patamar de mais de 16 o bushel e deve se estabilizar em níveis entre 13,5 e 14", avalia.


Ele acrescenta que as cotações só não recuam mais porque ainda há incertezas quanto ao comportamento climático na safra americana e ao potencial de produtividade. "Essa indefinição deve persistir até meados de agosto", completa.