Dia da Adesão incorpora produtores ao PAC do Cacau

05/08/2008

Dia da Adesão incorpora produtores ao PAC do Cacau

 

Simbolizando o início da participação efetiva dos cacauicultores no Plano Executivo para a Aceleração do Desenvolvimento e Diversificação do Agronegócio da Região Cacaueira (PAC do Cacau), a cidade de Itabuna, no sul da Bahia, viveu ontem o chamado Dia da Adesão, uma oportunidade para os produtores com débitos junto às instituições financeiras conhecerem as condições para a quitação da dívida, com descontos de até 60%.

Os produtores terão até o dia 30 de setembro para assinar o termo de adesão, a partir do qual também poderão obter novos créditos e acesso a outros benefícios do plano.

Renegociação – Os primeiros contratos de adesão foram assinados por quatro produtores de cacau, entre eles Gustavo Moura, para quem o cultivo do produto é uma herança de família e já atravessou diversas gerações.

"A renegociação vai nos possibilitar sair da inadimplência e ter acesso a novos créditos, dando um novo impulso à lavoura e obtendo uma maior produtividade", disse ele.

O Dia da Adesão é uma parceria entre a Secretaria da Agricultura (Seagri), a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), a Desenbahia e os bancos do Brasil e do Nordeste – com quem os débitos dos agricultores vão ser renegociados.

Contratos – A solenidade de apresentação foi no Centro Cultural Adonias Filho e contou com a participação do governador Jaques Wagner e do secretário da Agricultura, Geraldo Simões, coordenador do PAC do Cacau.

"Eu jamais defenderia um plano como esse, se eu não acreditasse nele. O governo está cumprindo a sua parte ao dar apoio a quem trabalha na terra e produz riqueza", falou o governador.

Segundo informações da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), há 4,2 mil contratos a serem assinados com os produtores para a renegociação das dívidas, que chegam a R$ 78 milhões.

O PAC do Cacau, que vai beneficiar 35 mil produtores, foi lançado, em maio deste ano, pelo presidente Lula e pelo governador Jaques Wagner.

A meta é reerguer a economia local, que entrou em crise com a praga da vassoura-de-bruxa e sofreu impactos negativos até mesmo nas questões sociais, ambientais, culturais e políticas da região.

Os recursos previstos para liberação, pelos governos federal e estadual, são da ordem de R$ 2,2 bilhões, com o objetivo de incentivar a produção, a diversificação das culturas (o plantio consorciado com o dendê, por exemplo) e a introdução de novas tecnologias e pesquisas para agregação de valor.

A meta do plano é recuperar cerca 150 mil hectares de cacau com mudas mais resistentes às pragas, além da implantação de 100 mil hectares de seringa e 100 mil de dendê para a produção de borracha e biocombustíveis, respectivamente.

O PAC inclui ainda programas complementares que visam o estímulo ao cultivo de frutas, flores e à industrialização da produção. No sul da Bahia, existem mais de 29 mil propriedades agrícolas dedicadas ao cacau.
 
Wagner defende a ampliação da cadeia produtiva na região

No encerramento da solenidade do Dia de Adesão ao PAC do Cacau o governador recebeu, de representantes de uma cooperativa local, uma barra de chocolate.

Ele comparou o doce, em forma de bastão, a um diploma que, disse, mostra o valor de quem lida com o cacau: "A cacauicultura precisa ser cada vez mais valorizada; é preciso que haja a agregação de valor na produção, gerando cada vez mais riquezas na região."

O governador disse que espera voltar muitas vezes à região para inaugurar pequenas fábricas de chocolate, com o adensamento da cadeia produtiva: "É essencial que a Bahia deixe de ser exportadora de amêndoas e passe a exportar chocolate."

Políticas concretas – Ao iniciar seu discurso, o governador disse que em cima do palco não havia heróis. "Na realidade", explicou, "a situação da lavoura do cacau não precisa de heróis; mas, se há heróis, esses são os pequenos e médios produtores. O que a lavoura de cacau precisa é de políticas concretas, que reergam a cacauicultura no estado."

Diante de um ensaio de protesto do representante da Câmara Setorial do Cacau, Fausto Pinheiro, de pronto o governador fez questão de que ele se manifestasse democraticamente, mesmo sua intervenção não fazendo parte da programação.

Em seguida, Wagner disse que todas as críticas são válidas e que não espera que o PAC do Cacau seja uma unanimidade. "No entanto, trata-se do maior programa de recuperação da lavoura cacaueira já posto em prática."