Assentados de 32 municípios terão abastecimento e casas reformadas

05/08/2008

Assentados de 32 municípios terão abastecimento e casas reformadas

 

Aproximadamente 5 mil famílias de assentados, residentes em 32 municípios baianos, vão ser atendidas pelo Programa Dias Melhores, do Governo do Estado.

Os R$ 40 milhões, destinados aos projetos de infra-estrutura, vão garantir a revitalização de 3.500 habitações rurais e a construção de seis sistemas de abastecimento de água.

Os recursos são provenientes do Incra e da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur).

Os convênios para viabilizar as ações foram assinados, ontem, no auditório da Fundação Luiz Eduardo Magalhães, entre a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Regional (Sedir), e Assentamentos de Reforma Agrária.

A conquista obtida pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) para os assentamentos baianos é resultado de uma pauta de reivindicação negociada com o governo, por meio da Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (Seagri), em abril do ano passado.

Na época, o movimento fez uma marcha do município de Feira de Santana até Salvador com este propósito.

Para o governador Jaques Wagner, investir na infra-estrutura dos assentamentos representa a concretização da terceira fase da luta do MST, a etapa de produção agrícola. "Não adianta somente ocupar, resistir. O mais importante é produzir, senão o movimento perde força", enfatizou.

Na opinião do presidente nacional do Incra, Rolf Hackbart, a saída para superar a crise mundial de alimentos e da escassez de matriz energética é investir na reforma agrária.

Para isso, é primordial fornecer infra-estrutura, capacitação técnica, crédito e licenciamento ambiental no que se refere aos acampamentos para se tornarem futuros assentamentos, como determina a legislação.

Na Bahia, existem cerca de 100 assentamentos e mais de 20 mil famílias vivem ainda sob a lona preta nos chamados acampamentos espalhados por todas as regiões do estado.

O forte nos assentamentos é a cultura de subsistência ou agricultura familiar. O excedente da produção é comercializado ou industrializado como é o caso do mel, oriundo dos assentamentos da Chapada Diamantina.

Segundo Lúcia Barbosa, integrante da direção nacional do MST, a assinatura dos convênios representa um marco histórico para o movimento na Bahia. "Este ponta-pé inicial sinaliza que as coisas começam a andar, sendo o embrião de uma política efetiva no campo ambiental, cultural e estrutural", avalia.

O trabalhador rural José Wilson, 47 anos, há quatro vive com mulher e filha no Acampamento Subaé, no Recôncavo baiano. Seu sonho é torna-se um assentado e melhorar as condições de vida da sua família. "Não vejo a hora de trabalhar no que é nosso", afirmou.


Contemplados com habitações rurais

Água Fria
Alcobaça
Arataca
Barra
Boa Vista do Tupim
Camacã
Camamu
Casa Nova
Encruzilhada
Ibirapitnaga
Igrapiúna
Iramaia
Itaetê
Itajuípe
Itamaraju
Ituberá
Juazeiro
Lençóis
Mucuri
Porto Seguro
Prado
Riachão das Neves
Ribeirão do Largo
Santo Amaro
S.Sebastião do Passé
Taperoá
Barra do Choça
Vitória da Conquista
Wagner
Wenceslau Guimarães

Assentamentos que terão sistema de água

Barreiras
Porto Seguro
Prado
Riachão das Neves
Santa Rita de Cássia
Santo Amaro