Distância entre insumo e usina afeta biodiesel

06/08/2008

Distância entre insumo e usina afeta biodiesel

 

Da forma que está estruturada a cadeia produtiva dos biocombustíveis, com as usinas estando distantes das regiões produtoras de matéria-prima, o Brasil corre o risco de gastar uma imensa quantidade de óleo diesel para produzir biodiesel, o que seria um contrasenso econômico e ambiental.

A avaliação é de Décio Gazzonni, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e um dos palestrantes do III Congresso Brasileiro de Mamona (CBM), que está acontecendo em Salvador desde segunda e será encerrado amanhã.

“Na Bahia, a usina inaugurada pela Petrobras em Candeias, na semana passada, está numa área onde não se plantam as principais matérias-primas, como mamona, algodão e soja, cujas produções estão na região de Irecê e no oeste. Tal situação demanda o transporte desse material por caminhões à base de óleo diesel”, destacou Gazzonni, salientando que o problema seria o mesmo caso a usina fosse implantada nessas regiões. “Como o mercado consumidor está no litoral, o biodiesel também teria que ser transportado para cá. O problema é de logística”, disse.

Outro problema indicado pelo pesquisador refere-se à baixa produtividade da lavoura.

Segundo a Embrapa, a Bahia é o maior produtor nacional de mamona, com 141 mil hectares de área plantada dos 154 mil hectares voltados para a mamona no Brasil. “Apesar disso, hoje, a produção é de no máximo 700 quilos de mamona por hectare, quando o ideal para se garantir a rentabilidade seria de 2,5 a três 3 toneladas por hectare. “Só assim, o pequeno produtor poderia obter vantagem com a mamona e, realmente, ter condições de se inserir na cadeia produtiva”,afirmou Gazzonni, ressaltando que o cenário derruba inclusive o alarde em torno da resolução da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), estabelecendo que a mamona não é indicada para ser utilizada pura na fabricação de biodiesel. “Nos parâmetros da produção atual, de modo algum seria possível suprir a indústria do biodiesel apenas com mamona”, enfatizou.

CONGRESSO – Cerca de 600 pesquisadores, técnicos, produtores agrícolas e empresários de todo o País estão participando do III CBM, que tem na sua programação palestras e minicursos sobre os mais variados temas relacionados à mamona, desde a produção de sementes à sua aplicação na indústria, passando por novas tecnologias de manejo e formas de comercialização. Além disso, estão sendo apresentados 200 trabalhos científicos.

VARIEDADE – Entre as inovações apresentadas no III CBM, a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) lançará oficialmente hoje à noite duas novas variedades de mamona.

Desenvolvidas em parceria com Universidade Federal do Recôncavo Baiano e a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, as plantas são mais adaptáveis ao semiaacute;rido baiano e têm maior resistência a pragas e doenças.