Veracel investe em segunda planta na Bahia

06/08/2008

Veracel investe em segunda planta na Bahia

 

No segundo semestre de 2011, a Aracruz Celulose e a sueco-finlandesa Stora Ensovai prometem abrir uma nova unidade da Veracruz em Eunápolis com capacidade de produzir até 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano. Estimulada pelo crescimento do mercado internacional de commodities, a empresa vai investir mais de R$ 4 bilhões na nova planta, ao lado da que já existe no interior baiano.

A estimativa do grupo controlador do empreendimento é que a nova unidade propicie a geração de 3,5 mil novos postos de trabalho diretos. “Como já empregamos 4 mil pessoas na Veracel 1, o complexo vai empregar aproximadamente 7,5 mil pessoas”, destaca o diretorpresidente da Veracel, Sérgio Alípio.

O empreendimento vai ocupar uma área de 150 mil metros quadrados, ao lado da fábrica atual. De acordo com o cronograma de instalação, a expectativa é conseguir a licença ambiental do Centro de Recursos Ambientais (CRA) até abril do próximo ano.

A Veracel 2 faz parte de uma estratégia para ampliar a participação do grupo na produção de celulose no Brasil. Com a produção atual de 1,1 milhão de toneladas, mais o volume previsto para a nova unidade, a empresa acredita que pode ampliar sua participação na produção nacional de 10 para mais de 20%.

“A Veracel 1 atingiu todas as expectativas de produção”, analisa Alípio.

Com o aquecimento do mercado internacional de commodities – matérias-primas que servem de base para os produtos finais –, o foco do investimento é produzir para a exportação.

“A demanda por celulose aumenta em média 2% ao ano”, destaca Alípio, lembrando em seguida que a crescente demanda por matéria-prima na China e Índia amplia bastante este horizonte.

O Brasil, segundo ele, se encontra em uma posição privilegiada para negócios com celulose, por conta das condições geográficas. “Há um deslocamento na produção de commodities para o hemisfério sul”, afirma Alípio.

De acordo com a Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracel), os negócios envolvendo a produção de celulose e papel representaram R$ 12 bilhões em investimentos nos últimos dez anos, com o pagamento de R$ 2,1 bilhões em impostos para os cofres públicos. A associação afirma que o número de empregos diretos supera os 110 mil, chegando-se a 500 mil, contando os indiretos. Em 2007, 45% da celulose produzida no País foi direcionada à exportação.

Ao tempo em que considera positivo o anúncio do investimento da empresa, o secretário da Indústria, Comércio eMineração do Estado, Rafael Amoedo, acredita que a Bahia precisa atrair o restante da cadeia da celulose.

“É claro que um investimento desta magnitude é sempre positivo, mas queremos atrair empresas que transformem a celulose em papel, por exemplo”, destaca. Ele cita os contatos do Estado com a holding que controla uma empresa baiana, no sentido de atrair para a Bahia a produção têxtil. “Nestas condições, pode-se dar um passo importante para a criação de um pólo têxtil”, prevê Amoedo.

Outro ponto que defende é a compra dos insumos das fábricas no próprio Estado.