Bioindústria evita práticas predatórias na Amazônia

11/08/2008

Bioindústria evita práticas predatórias na Amazônia

 

 

Um estudo analisou parte do desenvolvimento industrial da Amazônia e constatou que, ainda que esse processo seja fortemente baseado na exploração predatória dos recursos naturais – sobretudo no caso das indústrias madeireiras e de mineração –, dois setores em particular têm desempenhado atividades produtivas em bases sustentáveis, mantendo sólida articulação de pesquisa e desenvolvimento (P&D) com centros e instituições de pesquisa.

De acordo com a dissertação de mestrado da geógrafa Laís Mourão Miguel, apresentada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), as responsáveis pela adoção desse modelo de negócio inovador de exploração dos recursos naturais são as bioindústrias de cosméticos e de fitoterápicos atuantes na Amazônia.

Laís pesquisou 12 bioindústrias, de diferentes portes, instaladas nas regiões metropolitanas de Manaus e Belém. O trabalho envolveu visitas técnicas e entrevistas com representantes das bioindústrias e de centros de pesquisa tecnológica da região. O objetivo foi traçar um panorama geral desses dois segmentos industriais, de modo a abordar suas experiências e perspectivas futuras.

“Não foi um estudo quantitativo, mas podemos dizer que a maioria das indústrias analisadas busca a sustentabilidade desde o início da cadeia produtiva, comprando matérias-primas certificadas. Esse foi um dos critérios para a conclusão de que o processo produtivo das bioindústrias da região é sustentável do ponto de vista ambiental”, disse Laís.

“As pequenas indústrias que ainda não trabalham com certificação de matérias-primas estão tentando se adequar a esse sistema de selo verde que garante o uso sustentável da biodiversidade regional. Isso porque as indústrias que ainda não certificam suas matérias-primas têm dificuldade para exportar seus produtos. O problema ainda são os altos custos para essa adequação”, explicou.

Outro critério utilizado para a afirmação de que as empresas valorizam a sustentabilidade foi o processo de beneficiamento dos produtos naturais. “Essas bioindústrias introduziram novas bases técnicas de modo a valorizar a inovação tecnológica em seus produtos e processos”, afirmou.