Semi-árido incrementa a produção de mamona

11/08/2008

Semi-árido incrementa a produção de mamona


 

Maior adaptação às condições climáticas do semiaacute;rido e maior resistência a pragas e doenças. Essas são as principais características das duas novas variedades de mamona lançadas oficialmente, na última quarta-feira, pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) durante o III Congresso Brasileiro de Mamona, em Salvador.

Classificadas como MPA 11 (mamoneira de porte alto) e MPB 01 (mamoneira de porte baixo), as duas novidades ainda vão demorar para apresentar resultados concretos sobre as lavouras baianas, mas a expectativa é a de que reforcem a posição do Estado como o maior produtor nacional da oleaginosa e ainda consigam elevar a produtividade aos níveis ideais para atender à demanda das indústrias química e de biodiesel.

Atualmente, a Bahia possui 141 mil hectares dos 154 mil hectares voltados para a mamona no Brasil, mas a produção é de no máximo 700 quilos de mamona por hectare, quando seriam necessárias de 2,5 a três toneladas por hectare para atender à demanda por matéria-prima.

PRODUTIVIDADE – As duas variedades lançadas podem chegar a 900 quilos por hectare, no caso da MPA 11, e 1,9 tonelada por hectare, a MPB 01, segundo informações de Ariosvaldo Santiago, geneticista da EBDA e coordenador da pesquisa que resultou nas novas plantas. “Logicamente, estamos falando de uma produtividade em condições normais de chuva e cultivo”, afirmou o pesquisador.

Dois campos de sementes estão sendo operados pela EBDA e, a partir de setembro, começarão a render colheitas para que ocorra a distribuição do material.

A MPA 11 está sendo cultivada no semiaacute;rido, em uma área de 21 hectares, no município de Utinga (414 km de Salvador), e tem capacidade de fornecer, de imediato, entre 60 e 70 toneladas de sementes. Já a variedade MPB 01 ocupa seis hectares de uma fazenda na região de Wagner (390 km de Salvador) e deve render 20 toneladas de sementes.

“Isso é muito pouco para que seja investido na produção de grãos. Nesse primeiro momento, as sementes serão utilizadas para o cultivo de novas plantas geradoras de sementes, aumentando a disponibilidade, gradualmente, até que se tenha uma produtividade capaz de abastecer os produtores de grãos”, afirmou Edson Alva, chefe da Divisão de Produção Vegetal da EBDA.

ORIENTAÇÃO – Edson Alva, da EBDA, explica que as sementes serão distribuídas para agricultores que integram a cooperativa coordenada pela EBDA ou entre produtores independentes que tenham interesse em comercializálas. “Os agricultores serão orientados a vender as sementes, que são mais caras que os grãos, no mercado agrícola. O ideal é não produzir grãos, por agora, pois ainda teremos poucas sementes disponíveis, o que inviabilizará a produtividade e ainda esgotará as plantações rapidamente”, salientou Alva, destacando que um acordo com a Petrobras já garantiu a comercialização de 30 toneladas para investimento em campos destinados à produção de biodiesel.