Novas técnicas de manejo podem reduzir impacto

11/08/2008

Novas técnicas de manejo podem reduzir impacto

 


Apesar das perspectivas sombrias reveladas pelo estudo, um dos coordenadores da pesquisa, Hilton Silveira Pinto, professorassociado do Instituto de Biologia da Unicamp, que desde 1968 acompanha os efeitos climáticos para a agricultura, acredita ser possível adotar medidas que diminuam os impactos do calor para o agronegócio. “Estudamos vários procedimentos que podem reduzir as emissões de CO2 na agricultura, um deles, bem simples, é o chamado plantio direto sobre a palha deixada no solo pela cultura anterior, sem revolver a terra”, disse, explicando que essa técnica economiza 10% de água e reduz a emissão de CO2 do solo em cerca de 500 quilos por hectare ao ano.

Pinto informou que o zoneamento climático permitirá que nos próximos anos o plantio de cana para produção de etanol não tome um metro de área de agricultura alimentar. “Identificamos mais de 20 milhões de hectares já devastados que podem ser usados e atendem à meta brasileira do biocombustível.

Isso já foi enviado para o Ministério da Agricultura”, disse.

Em relação à soja, Pinto disse que de fato o aquecimento global vai afetar as principais lavouras do oeste baiano. “O grande drama é a irrigação, pois cada vez vai se precisar de um volume cada vez maior de água, que passará a ser um produto escasso e precioso, cuja prioridade será o consumo humano”. Segundo ele, a situação da Bahia não é tão ruim a médio prazo. “A Embrapa está desenvolvendo sementes mais tolerantes ao calor; e especificamente para a soja, os estudos estão adiantados e mostram a possibilidade de ter plantas que suportam até dois graus de aumento de temperatura”. Pinto salienta que, apesar de a agricultura ser uma das vilãs do efeito estufa, ela pode ajudar muito na redução das emissões de gases. ( B. T.)