Calor gera perda de R$ 14 bilhões

12/08/2008

Calor gera perda de R$ 14 bilhões

 

 

Um novo estudo sobre os efeitos do aquecimento global para a economia brasileira, divulgado ontem em São Paulo, indica que, a médio prazo, o efeito estufa pode afetar seriamente a produção de alimentos no País, resultando em prejuízos de até R$ 7,4 bilhões para o agronegócio em 2020, podendo alcançar a cifra de R$ 14 bilhões em 2070. A redução das áreas de plantio causada pelo calor tende a agravar a crise mundial de produção de alimentos.

O agronegócio da Bahia, que responde por 27% do Produto Interno Bruto do Estado, deve ser um dos mais afetados.

Realizada por especialistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp São Paulo), a pesquisa fez simulações dos impactos das mudanças climáticas para as lavouras de algodão, arroz, café, cana-de-açúcar, feijão, mandioca, milho, soja e girassol, responsáveis por 86,17% da área plantada no Brasil, e descobriu um quadro preocupante: somente a cana e a mandioca podem se beneficiar com o aumento do calor, as outras culturas sofrerão perdas de até 40% de produção, como a soja, um dos principais produtos da Bahia.

Em junho, pesquisadores da UFRJ divulgaram levantamento sobre efeitos climáticos em relação à geração de energia no Brasil, indicando que pode haver uma queda significativa na produção de energia renovável no Nordeste. O vetor mais atingido será o hidráulico, que responde por mais de 85% da geração de energia elétrica da região.

Agora, com o relatório A quecimento global e cenários futuros da agricultura brasileira, reve la-se que o efeito estufa será cruel também para as principais culturas nordestinas, constataram os cientistas. Eles usaram as projeções de temperatura calculadas pelo Painel Intergovernamental deMudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgadas em 2007, referentes ao aquecimento global até o ano de 2100.

Foram estipulados dois cenários, o primeiro, “A2”, mais pessimista, indica (caso não forem contidas as atuais emissões de gases do efeito estufa) que a temperatura da Terra deve aumentar entre 2° e 5,4° centígrados. Já no cenário “B2”, mais ameno, o aumento seria de 1,4° a 3,8°.

A partir desses resultados, avaliaram-se os efeitos na agricultura tomando por base o Zoneamento de Riscos Climáticos, programa de computador desenvolvido por várias instituições científicas do País que indica as áreas mais propícias para se plantar determinado tipo de cultura nos 5.562 municípios do Brasil. Com esse zoneamento, o governo pode orientar a estrutura do crédito agrícola, ou seja, liberar dinheiro para lavouras nas áreas com baixo risco climático.

Ao cruzar as informações, foi possível determinar como o aumento da evopotranspiração (perda de água por evaporação do solo e transpiração das plantas) provocado pelo calor afetará as nove lavouras pesquisadas.

Os cientistas que estudam o clima do mundo salientam que, embora a queima de combustíveis fósseis seja apontada como a grande vilã do efeito estufa, de acordo com o IPCC, a agricultura é a responsável por 13,5% das emissões anuais de gás carbônico equivalente, o CO2-eq (unidadepadrão de todos os tipos de gases estufa que contribuem para o aquecimento global, sobretudo o gás carbônico, o metano e o óxido nitroso).