ANP dificulta uso da mamona para o biodiesel

12/08/2008

ANP dificulta uso da mamona para o biodiesel

 

Reconhecida como uma das culturas mais versáteis, rentáveis e promissoras, a mamona, que beneficia cerca de 27 mil famílias na Bahia, vem causando polêmica quando o assunto é biodiesel. Isso porque a Resolução nº 07 da Agência Nacional do Petróleo (ANP), publicada em 19 de março deste ano, criou dificuldade para comercializar o biodiesel feito à base dessa matéria-prima. Na fundamentação, foram estabelecidos vários critérios físicos e químicos para o biocombustível. Pelos parâmetros, o biodiesel produzido apenas com mamona é muito viscoso e, por isso, não pode ser usado diretamente nos motores, pois poderia danificá-los.

 

Vale ressaltar que a mamona sempre foi a vedete do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB). Em vários discursos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se referiu ao plantio da oleaginosa como uma alternativa para agricultores pobres do Nordeste. Atualmente, a Bahia, que é responsável por 75% da produção nacional, produz cerca de 880kg de mamona por cada hectare plantado. Na última safra, foram colhidas 124 mil tone-ladas. Mas, para a ANP, a mamona é a única oleaginosa que não se enquadra nos parâmetros técnicos do biodiesel. Com todas as demais – soja, pinhão-manso, algodão, etc –, é possível produzir biodiesel sem precisar de mistura.

 

De acordo com o superintendente de políticas para agronegócios da Bahia, Eujácio Simões, a Embrapa Algodão – empresa responsável gerar e transferir tecnologias – defende a mamona como matéria-prima exclusiva do biodiesel até um patamar de 40% (B40). “Os técnicos acreditam que 40% de óleo extraído da mamona e 60% de matéria-prima de fósseis, os motores respondem muito bem tecnicamente. Além disso, é viável”, garante ele, complementando que, hoje, o óleo diesel comercializado em todo o Brasil tem que conter apenas 3% de biodiesel (B3).

 

Ainda segundo Simões, 90% da mamona produzida no país tem outros destinos. “Existe uma demanda muito forte na indústria química”, afirma. O dirigente explica que, quando o governo vislumbrou na mamona uma fonte de matéria-prima para o biodiesel, a saca (60kg) da oleaginosa valia aproximadamente R$25. Este ano, o preço pulou para R$75. “Com essa valorização, está havendo uma pressão para exportar”, disse.

 

Graciela Alvarez

09/08/2008