Selo holográfico garante a qualidade das vacinas
Está completando dez anos a criação da Central de Selagem de Vacinas (CSV), instalada no município de Vinhedos, em São Paulo.
A principal contribuição da central é o controle de qualidade e procedência de vacinas contra a febre aftosa, a doença que assombra a pecuária brasileira.
“A central de selagem evita o contrabando e a adulteração das vacinas. E a colocação do selo holográfico, produzido pela mesma empresa alemã responsável pela holografia do euro, atesta a autenticidade”, diz o coordenador da CSV, Silvio Cardoso Pinto.
Trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), também utiliza uma única empresa para a distribuição das vacinas em todo o Brasil: a AGV Logística.
Outra função da central é garantir estoque de segurança para o caso de ocorrência de uma epidemia, nunca é inferior a 15% das necessidades brasileiras no ano, que é de 370 milhões de doses.
Segundo o biólogo Sílvio Pinto, os quatro laboratórios que fabricam a vacina contra a febre aftosa no Brasil têm capacidade instalada para 500 milhões de doses anuais e produzem 380 milhões.
VACINA – O diretor da AGV Logística, Maurício Pires Lopes, afirma que a selagem permite que o governo tenha acesso a diversas informações sobre a vacina. Ele pode rastrear a empresa fabricante, o lote, a data de saída da central, os envolvidos na distribuição, o ponto-de-venda e até o município que recebeu.
“O controle tornou mais reais os índices de previsão de demanda e a demanda efetiva de doses nas diversas regiões do Brasil”, diz o biólogo Silvio Pinto.
Para garantir a procedência, qualidade e distribuição, a CSV recebe todas as vacinas contra aftosa fabricadas pelos quatro laboratórios instalados no País: o Intervet, em Fortaleza; o Vallé, em Minas Gerais; o Merial, em São Paulo; e a Bayer, no Rio Grande do Sul. Daí, inicia-se todo um processo de testes e de controle de qualidade, em conjunto com técnico do Ministério da Agricultura, e a armazenagem e distribuição dentro das adequadas condições de transporte e temperatura.
“Nós nos responsabilizamos pela vacina até a entrega em cooperativas e revendedores.
Não comercializamos a vacina”, explica Maurício Lopes.
DIFERENÇA – AMerial, um dos laboratórios produtores da vacina contra a febre aftosa, está comemorando a possibilidade de que, até o fim deste ano, o governo brasileiro determine a obrigatoriedade da aplicação da vacina diferenciada. Ela é fabricada apenas por esta empresa, joint venture da Merck & Co.
Para o diretor técnico do laboratório, Emílio Salani, a vacina não ocasiona as reações de falsopositivo em casos de suspeita de foco. “Com esta característica, a vacina proporciona à autoridade sanitária a certeza de que o vírus da doença circulou ou não em um determinado rebanho ou mesmo região”, acrescenta.