Commodities Agrícolas
Vendas adiadas
Os contratos futuros de café negociados subiram ontem em Nova York pelo terceiro pregão consecutivo, com especulações de que os brasileiros estão retardaram as vendas à espera de preços melhores. Segundo o Conselho dos Produtores de Café do Brasil (Cecafé), as exportações do grão caíram 15% nos primeiros 19 dias de agosto, para 747.393 sacas. Em entrevista à Bloomberg, Marcio Bernardo, da Newedge USA LLC, os produtores brasileiros aguardam o programa do governo (Pepro). "Ninguém quer vender hoje para descobrir depois que poderia ter recebido mais". Em Nova York, os papéis para dezembro subiram 11 pontos e fecharam a US$ 1,412 por libra-peso. No mercado interno, a saca ficou em R$ 248,41, com alta de 0,32 %, segundo o Cepea/Esalq.
Compras especulativas
Os preços futuros do suco de laranja fecharam em alta ontem, puxados por compras especulativas após a forte queda das cotações da commodity no pregão de terça-feira. Na bolsa de Nova York, os contratos para novembro fecharam a US$ 1,06 a libra-peso, com aumento de 145 pontos. A cotação do suco atingiu seu patamar mais baixo das últimas três semanas na terça-feira, após a constatação de que a tempestade tropical Fay não se transformaria mais em furacão. O mercado temia novas ameaças sobre as regiões produtoras da Flórida, segundo maior produtor mundial. Essa região foi fortemente atingida por furacões em 2004. No mercado paulista, a caixa de 40,8 quilos da laranja para as indústrias encerrou ontem a R$ 9,53, segundo o Cepea/Esalq.
Atraso no plantio
Assim como ocorreu com o milho, o preço da soja no mercado futuro foi influenciado ontem pelo receio de que as enchentes que atingiram o Meio Oeste americano em junho, que acabaram atrasando o plantio, podem ter comprometido, em parte, a produtividade da oleaginosa, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. "Há uma grande incerteza por causa do atraso do plantio", disse Dave Marshall, consultor da Toay Commodity Futures em Nashville, Illinois. Na bolsa de Chicago, os contratos de soja com vencimento em novembro subiram 24 centavos de dólar, para US$ 13 por bushel. No mercado interno, o preço da saca de 60 quilos encerrou com alta de 0,68%, a R$ 45,01, de acordo com o índice Cepea/Esalq. No mês, o preço da saca acumula baixa de 4,05%.
Produtividade menor
Os preços futuros do milho atingiram ontem o maior patamar das últimas duas semanas, na bolsa de Chicago, com especulações de que o atraso do plantio dos grãos nos Estados Unidos poderá comprometer a produtividade das lavouras. Em Chicago, os contratos para dezembro fecharam a US$ 5,95 o bushel, com aumento de 10,50 centavos. Chuvas excessivas em parte do Iowa e Illinois, duas principais regiões produtoras de milho e soja dos EUA, atrasaram parte dos trabalhos, segundo informou a Bloomberg. Parte dessas lavouras teve que ser replantada. No mercado paulista, a saca de 60 quilos fechou a R$ 24,15, segundo o índice Cepea/BM&F. No mês, acumula queda de 9,25%. O recuo reflete a baixa liquidez do grão no mercado interno e as dificuldades para exportar o grão.