Cultivo da raiz está presente nas propriedades rurais da região
Para os pesquisadores da Embrapa, é importante observar que a cultura da mandioca desempenha papel importante no contexto da agricultura familiar na Bahia. “Na região do extremo sul, são encontradas comunidades de produtores familiares que utilizam a mandioca como principal fonte de carboidratos na sua alimentação, além de ser a principal fonte de renda de muitas famílias”, informa a pesquisadora Arlene Gomes.
Ao contrário do que seria esperado, ressalta, a produtividade dos municípios nessa região é inferior à média nacional, com rendimentos entre 10 e 12 toneladas por hectare.
“A degradação do solo, por cultivo intensivo e sem a rotação de culturas e de outros manejos como adubação, práticas conservacionistas do solo, adubação verde, além do uso de variedades inadequadas, impossibilita ganhos em produtividade com o cultivo da mandioca, hoje sem retorno econômico para o agricultor”.
É comum, segundo os pesquisadores, encontrar plantas amarelecidas (amarelão da mandioca), que definham e morrem, levando os produtores a abandonarem áreas dentro de suas propriedades onde ocorre este problema, por acharem ser inviável o cultivo nessas condições.
Na área da família de dona Ana, o pesquisador Miguel Rodrigues encontrou “uma lavoura sadia, não atacada por pragas ou doenças graves que possam impossibilitar a continuidade do plantio”.
TRADIÇÃO – De acordo com os estudos dos pesquisadores, a tradição do plantio consorciado desenvolvido pelos agricultores familiares, principalmente com milho e feijão, esbarra no problema do cultivo feito de forma desordenada, com dificuldade de aplicação dos tratos culturas e, conseqüentemente, menor eficiência do sistema.
Eles lembram que, por ser de região turística, o extremo sul apresenta mercado promissor para o consumo de mandioca mansa que é bastante servida em restaurantes e barracas de praia. Apesar disso, afirma Carlos Estevão, é praticamente comercializada na forma de farinha e raízes frescas, sendo que a farinha ainda precisa melhorar a qualidade, principalmente no ponto de torrefação e no armazenamento, que têm prejudicado sua comercialização.
“No entanto, vários subprodutos à base de mandioca, como beijus, farinha, fécula e polvilho azedo, apresentam grande aceitação pelos consumidores”, conclui.
CULTIVO – Como prática principal da agricultura familiar, o cultivo da mandioca é atividade econômica também desenvolvida por parte de médios e grandes empresários rurais, mas em menor número.
O quadro agrário da agricultura familiar na região se caracteriza por propriedades com área média entre 10 ha a 20 ha. O cultivo da mandioca está presente na totalidade dos estabelecimentos rurais, ocupando área média de 3 ha, com produtividade entre 12 e 15 toneladas por hectare de raízes. A característica na agricultura familiar na Bahia é a exploração da mandioca em sistema de monocultivo, e em consórcio, principalmente, com feijão, milho e quiabo.
“Apesar da importância da cultura, a adoção de novas tecnologias é muito restrita e é comum o uso inadequado de espaçamento, época de plantio, níveis de adubação e variedades. Mesmo sendo uma região pastoril, a mandioca tem sido pouco utilizada na alimentação animal”, afirma a pesquisadora Arlene Gomes.
Ainda que diferente de outras regiões produtoras de mandioca no Estado, onde a farinha é fabricada na propriedade, ressalta, a maioria dos produtores da região vende as raízes para seu processamento em outras localidades.