Etanol baiano atrai coreanos
O grupo coreano Celltrion assina hoje, em Salvador, um protocolo de intenções com o governo do Estado e o município de Barra, onde pretende investir aproximadamente R$ 500 milhões em um projeto para a produção de etanol que a princípio se destina a abastecer o mercado interno da Bahia.
Ontem, a diretoria do grupo manteve diversas reuniões na Prefeitura de Barra, a 680 km de Salvador, e visitou a Fazenda União, onde o projeto deverá ser executado. Fizeram parte da comitiva representantes da Sudene e do Banco do Nordeste (BNB), Além da concessão de incentivos fiscais para a viabilidade do projeto, o governo do Estado já se comprometeu a construir 40 quilômetros de estrada, a partir da ponte da rodovia BA-161 até a Fazenda Boqueirão, em Barra, e também uma linha de transmissão de energia elétrica.
A unidade agroindustrial vai ocupar uma área de 40 mil hectares na margem esquerda do Rio Grande, onde 27 mil hectares serão plantados com cana-de-açúcar.A estimativa é produzir 1,3 milhão de litros por ano de etanol, a partir da produção de 2,7 milhões de toneladas de cana e gerar dois mil empregos diretos até 2011, quando o empreendimento estiver funcionando plenamente.
Segundo Eduardo Palácio, consultor da Colliers Internacional – empresa paulista que, desde novembro do ano passado, está assessorando o grupo coreano na localização de terra para a instalação da agroindústria no Brasil –, depois de conhecer diversos Estados, o grupo se decidiu pelo município de Barra, “por um conjunto favorável de condições”, definiu.
O município de Barra já tem tradição no cultivo da canade-açúcar para a produção de rapadura e cachaça para abastecer o mercado regional. A diferença é que a cana existente é cultivada por pequenos produtores na extensa região das veredas, também conhecidas como Brejos da Barra. Já a cana para o etanol será irrigada com água do Rio Grande e com a utilização de tecnologia de ponta.
“A expectativa é que as obras tenham início no próximo ano, pois um projeto desta dimensão demanda de estudos de impacto ambiental e a intenção do grupo é estar adequado às exigências das leis brasileiras”, disse Eduardo Palácio.
De acordo com o prefeito de Barra, Deonísio de Assis (PP) o empreendimento traz grande expectativa para a população do município (de 47.755 habitantes) em relação a empregos, “e isso vai evitar o êxodo dos nossos trabalhadores para a região do cerrado, o que está desagregando as famílias, por falta de oportunidade de trabalho”.
A expectativa é que as terras do município que custam entre R$ 100 a R$ 150 o hectare, se valorizem três vezes em médio prazo, afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Mauro Muzell, confirmando que tem recebido telefonemas de empresários de diversos locais do Brasil em busca de informações sobre terras agricultáveis no município.