Usinas deixam de pagar fornecedores de cana

26/08/2008

Usinas deixam de pagar fornecedores de cana

 


Mônica Scaramuzzo

Parte dos fornecedores de cana do centro-sul do país, sobretudo os de São Paulo, está sem receber pela matéria-prima entregue em algumas usinas. "Em algumas regiões, como as de Assis e Piracicaba, empresas estão parcelando ou deixando de pagar pela cana", afirmou Christina Pacheco, diretor-tesoureira da Orplana (Organização dos Produtores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil). 

A organização, que reúne cerca de 14 mil fornecedores de cana, já entrou em contato com as usinas inadimplentes. "Os motivos são vários. Desde grupos que fizeram expansão e não puxaram o freio nos investimentos, até pequenas e médias usinas com dificuldades financeiras", disse Christina Pacheco. 

Segundo Manoel Ortolan, presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), fornecedores da região de Ribeirão Preto, principal pólo produtor de açúcar e álcool do Brasil, também passam pela mesma situação. 

"A tonelada da cana nesta safra está em torno de R$ 35 [valor em julho], mas pode atingir entre R$ 39 e R$ 40 até o final da safra [encerrada em abril]", afirmou Ortolan. No ciclo 2007/08, o preço médio da matéria-prima entregue ficou em R$ 35 por tonelada. 

Procurada, a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), reconheceu que parte das usinas passa por problemas financeiros por conta dos baixos preços do açúcar e do álcool durante a safra 2007/08. "O ciclo 2006/07 apresentou bons preços. Na safra seguinte, a situação se inverteu. Mas como boa parte das usinas estava capitalizada, não houve problemas de caixa. Agora, após um período de preços ruins, há dificuldades para honrar os compromissos", disse uma fonte da Unica. As perspectivas, contudo, são de recuperação de preços. 

Para Christina Pacheco, da Orplana, os casos de inadimplência ainda são isolados, mesmo assim já preocupam. "Algumas usinas esperavam financiamento do BNDES, que ainda não saiu."