EBDA realiza dia de campo em Paripiranga e divulga resultados

28/08/2008

EBDA realiza dia de campo em Paripiranga e divulga resultado

 

Com o objetivo de apresentar os resultados de experimentos realizados e que visam o desenvolvimento das culturas graníferas, oleaginosas e mandioca na região Nordeste do Estado, a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), em parceria com a Embrapa Tabuleiros Costeiros, realizou, hoje (27), em Paripiranga, um “Dia-de-campo” sobre o projeto Tecnologias para o desenvolvimento da agricultura familiar no Estado da Bahia.

Os experimentos e unidades de demonstração, de quatro estações experimentais da EBDA, foram implantados na fazenda Lagoa da Vaca, de propriedade do agricultor Virgílio Ferreira de Oliveira, 66 anos, localizada a 20 quilômetros da sede do município, cujas culturas de feijão, milho comum e híbridos, girassol, mandioca, pinhão-manso, entre outras, estão sendo testadas no que se refere à produtividade, época de plantio e tolerância a pragas e doenças. Na oportunidade, mais de 500 agricultores familiares conheceram o desempenho dos diversos cultivares testados, além de tecnologias para a produção e formação de banco de sementes, que servirão de base na produção de campos para o programa estadual de distribuição de sementes - Semeando, desenvolvido pela Superintendência de Agricultura Familiar (Seagri/Suaf).

Para o diretor executivo da EBDA, Hugo Pereira de Jesus Filho, que esteve presente no evento, a capacitação oferecida aos agricultores familiares, para que estes passem a produzir suas próprias sementes, é um dos passos mais importantes para a elevação da produção e produtividade baiana de grãos. “A conscientização dos mesmos na utilização de sementes indicadas pela pesquisa, durante o plantio, é outro ponto de fundamental e significativa para a melhoria dos índices”, comentou o diretor. Pereira ainda informou que, enquanto os híbridos de milho cultivados na região de Paripiranga (maior produtora de milho da Bahia) produzem uma média de 80 sacas de milho por hectare, as variedades utilizadas pela pesquisa, durante os experimentos, juntamente com as tecnologias preconizadas, apresentam produtividade média de 150 sacas por hectare, “praticamente o dobro das variedades tradicionais”, enfatizou o diretor da EBDA.

 

Apresentação

A primeira estação do evento mostrou os cultivares de feijão de diferentes ciclos e comportamento em relação a pragas e doenças. Já a segunda, abordou o comportamento das variedades e híbridos de milho com diferentes potenciais de produção, precocidade, resistência e tipos de grãos. Na terceira estação, as variedades de girassol e pinhão-manso foram mostradas como alternativas de arranjos produtivos, e como matéria-prima para o biodiesel. Sobre a mandiocultura, foi apresentado aos agricultores uma nova variedade, Kiriri, que apresenta alta produtividade de raiz.

A quarta e última estação apresentou tecnologias simples para o armazenamento e beneficiamento de sementes, realizadas pelos agricultores familiares, e ainda os materiais de milho, feijão e girassol indicados para a produção de sementes na região Nordeste da Bahia.

Segundo o engenheiro agrônomo da empresa e coordenador do programa, Edson Alva Oliveira, estes e outros experimentos implantados vão subsidiar agricultores familiares das regiões de Irecê, Barreiras, Ribeira do Pombal e Vitória da Conquista. “Este é o quinto ano consecutivo que realizamos pesquisas voltadas para a identificação de cultivares, de culturas graníferas, mais produtivas, tolerantes e adaptadas ao semi-árido baiano, e os resultados são compensadores, particularmente pelo interesse demonstrado pelos agricultores”, comentou o coordenador. O agricultor Miguel Andrade do Rosário, da fazenda Cabeça da Serra, em Paripiranga, que já participou de outros dias-de-campo nessa localidade, acho a iniciativa válida. “É muito importante esse dia, pois o agricultor fica mais informado e aprende mais. Tenho feito uso dos ensinamentos na minha roça, principalmente para a adubação das plantas, cobertura, e agora eu faço análise da terra para saber adubar direito”, assegurou “Miguel de Ubelino”, que fez questão de dizer como é conhecido na região.

 

Resultados alcançados

Diversas variedades de grãos já foram indicadas pela pesquisa, a partir destes experimentos. As variedades de milho Catinguiro, Asa Branca e Sertanejo foram as que mais se destacaram nos quesitos produtividade e resistência às pragas, doenças e estresse hídrico. Também se destacaram para o plantio na região nordeste do Estado a variedade Pérola, de feijão do grupo carioca, que também demonstrou produtividade e tolerância a pragas e doenças. Quanto ao girassol, o engenheiro agrônomo da EBDA, Valfredo Dourado, informou que foi implantado, este ano, um experimento dessa oleaginosa, com 56 variedades e híbridos, e já se começa a identificar os mais promissores. “O girassol tem se destacado como uma cultura com grande potencial para a região Nordeste”.