Fruticultura irrigada incrementa a economia do sudoeste baiano

09/09/2008

Fruticultura irrigada incrementa a economia do sudoeste baiano

 

Este ano, o setor agropecuário foi responsável por, aproximadamente, 30% dos 52 mil empregos com carteira assinada gerados na Bahia, segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).

Para o secretário estadual do Planejamento, Ronald Lobato, os números não só refletem uma tendência como são resultados do direcionamento das principais políticas do Governo do Estado. "Estamos identificando os setores que mais devem receber apoio e desenvolvendo estratégias que priorizem a geração de emprego e renda de forma sustentável", acentuou.

Lobato lembrou ainda que dentro dessa política de governo há destaque para projetos de economia solidária, agricultura familiar, a recuperação da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e a implantação de pequenas indústrias.

Além disso, está sendo priorizada a implantação de Arranjos Socioprodutivos que aliam emprego, qualificação e articulação de todas as fases da cadeia produtiva.

A fruticultura irrigada é responsável por, aproximadamente, 10 mil postos de trabalho no sudoeste da Bahia, desde o plantio na lavoura até o transporte.

Principal pólo produtor de frutas da região, a cidade de Livramento de Nossa Senhora, a 646 quilômetros de Salvador, possui mais de 15 mil hectares plantados de culturas como manga, maracujá e umbu.

Ano passado, de acordo com o empresário José Assunção Ribeiro, cerca de 6,6 mil toneladas de manga foram produzidas no entorno do município e mais da metade exportadas para países da Europa, como Alemanha e Holanda, num total de R$ 9 milhões em negócios.

Atualmente, as mangas dos tipos Tomi e Palmer têm preços que variam de R$ 0,80 a R$ 2,25 por quilo.

Ribeiro afirmou também que a geração de empregos, com a fruticultura irrigada, pode ser ainda maior com a resolução de alguns entraves relacionados à infra-estrutura.

No entanto, ele avaliou como positivos, o processo de recuperação da malha viária baiana, a possibilidade de construção da Ferrovia Oeste-leste e a implantação de um novo porto no sul do estado. "Assim, aumentaremos a competitividade dos nossos produtos e vamos gerar mais emprego e renda", enfatiza.

No município, quatro grandes empresas atuam com uma média de 60 funcionários, que sempre é aumentada para 200 colaboradores durante o período de safra, que totaliza quatro meses todos os anos. Nas unidades, os empregados atuam nos processos que vão desde a lavagem, a embalagem até o transporte.

O empacotador Jorge Luiz Oliveira, 23 anos, conta que a fruticultura é a principal atividade econômica em Livramento de Nossa Senhora e que, se não fosse o trabalho na unidade exportadora de mangas, poderia estar desempregado.

"Com o salário de R$ 600 que ganho, posso fazer muitas coisas e inclusive ter momentos de lazer", explica.

. Números

. Exportações com a fruticultura em Livramento de Nossa Senhora: R$ 9 milhões e 6,6 mil toneladas em 2007

. Agropecuária na Bahia: 14,9 mil empregos dos 52 mil gerados até julho deste ano

. Trabalhadores têm rendimentos de até R$ 600

. Agricultores familiares chegam a arrecadar R$ 32 mil por ano com a venda de manga e maracujá

. Plantação de manga e maracujá soma 15 mil hectares
em Livramento

Produção de umbu é incentivada

Uma cultura que também tem recebido destaque no Perímetro Irrigado de Livramento é a do umbu.

Segundo o técnico da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), José Ricardo Barreto, uma nova variedade da fruta está incrementando a geração de renda na região. "O tamanho normal do umbu é de até 40 gramas. Estamos viabilizando o plantio de uma espécie que cresce até 120 gramas, ideal para a fabricação de polpa."

Barreto contou também que cerca de 4 mil mudas dessa espécie do fruto estão sendo distribuídas para 100 agricultores familiares locais. "Assim, não seremos caracterizados como uma região de monocultura e poderemos diversificar a produção e até atrair grandes investimentos para a produção do umbu em maior escala."
 
Cooperativismo gera renda para os pequenos
 
Além dos postos de trabalho gerados pelas grandes empresas, o cultivo de manga e maracujá também beneficia os agricultores familiares locais.

Uma das companhias exportadoras que atuam na região, cujo capital é francês, adquire 100% das frutas plantadas por pequenos produtores.

Outra experiência bem-sucedida é a de uma cooperativa formada por 63 pessoas, na localidade de Rio Abaixo, zona rural de Livramento. A pequena unidade garante uma renda anual de R$ 32 mil para os cooperados e ainda emprega 33 pessoas.

Segundo o gerente de vendas da cooperativa, José Aparecido Dourado, a maioria das frutas (manga e maracujá) embaladas lá chega a alguns centros de abastecimento no estado de São Paulo. A meta dos cooperados é obter todas as certificações exigidas para poder iniciar os processos de exportação.