Safra cresce 15,8% na Bahia

09/09/2008

Safra cresce 15,8% na Bahia

Luiz Souza

A produção baiana de grãos operou em linha com o mercado nacional e deve fechar a safra 2007/2008 com crescimento de 15,8%, na comparação com o período anterior. A informação faz parte do 12º Levantamento de Safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado ontem. O total de grãos produzido em solo baiano deve chegar a 6,56 milhões de toneladas no período. O destaque na produção continua com a soja, com expansão de 19,6%, e total de 2,7 milhões de toneladas, seguida do milho (17,1%), com 1,9 milhão de toneladas. Porém as maiores taxas de crescimento foram da mamona (53,2%) e arroz (43,1%).

O vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Sérgio Pitt, observa que a produção de grãos no oeste baiano, área de atuação da entidade, chegou a crescer até 10% ao ano, nas últimas colheitas, o que significam recordes sucessivos.Ele pondera que culturas como milho e soja tiveram maior demanda no mercado internacional, o que contribuiu para que os produtores investissem e aumentassem a produtividade.De acordo com dados da Conab, a produtividade da soja no Estado alcançou cerca de 3,03 tonelada por hectare, numa alta de 12,4% ante a safra 2006/2007. Já o milho teve alta de 9,7%, com 2,23 toneladas por hectare.

Outra cultura que registrou crescimento expressivo no mercado baiano foi a mamona, que atingiu a produção de 111,4 mil toneladas, o que representa um crescimento de 53,2% em relação à safra anterior. A produtividade da mamona também cresceu, 47,2%, de 600 quilos por hectare para 883 quilos por hectare.Já a área plantada dedicada à oleaginosa expandiu 4,2% (de 121,1 para 126,2 mil hectares), conforme análise da Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri).

Outro item constante do levantamento foi o feijão. A Seagri aponta que, com a previsão de 3,4 milhões de toneladas da safra do grão, o risco da escassez e a alta do preços do produto, ocorridas no Brasil no final de 2007, não deve se repetir mais este ano. Se as previsões da safra atual se confirmarem, o País terá produção suficiente para abastecer o mercado interno, algo que teria repercussão direta nos preços do produto.

“O feijão tem sido apontado como um dos responsáveis pela alta dos índices de inflação, a saca de 60 kg do feijão-carioca, na praça de Irecê, em janeiro deste ano, chegou ser vendida por R$ 222,86, preço que vem caindo e no final do semestre já registrou R$ 116,47, queda de 47%”, prossegue o relatório da Seagri.

O professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Vítor Athayde Couto observa que a expansão da produtividade de grãos se deve ao contexto internacional, no qual as commodities (produtos primários) registraram uma alta valorização nos últimos meses. “Estas são culturas de ciclo curto, que reagem automaticamente às oscilações do mercado”, pondera Couto. Ele critica o modelo de agricultura no País, dada a dependência do petróleo, em insumos como os fertilizantes e combustível para as máquinas agrícolas.