PIB baiano próximo do desempenho nacional

11/09/2008

PIB baiano próximo do desempenho nacional

 

O desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no primeiro semestre de 2008 ainda está sendo calculado e deverá ser divulgado oficialmente nos próximos dias, entretanto, estima-se que haverá um crescimento de 5,5% a 6%, bem próximo à expansão registrada pela economia brasileira como um todo. Pelo menos é o que afirma o economista Luiz Mário Vieira, coordenador de Análise Conjuntural da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), órgão responsável pelo cálculo do PIB do Estado.
Apesar de associar o crescimento da economia estadual, principalmente, ao aumento do preço das commodities agrícolas – insumos em estado bruto ou com baixo nível de industrialização, principais produtos exportados pela Bahia – Vieira acredita que haverá uma desaceleração do ritmo de expansão do PIB baiano até o final do ano justamente por causa desses produtos.
“Nos últimos dois meses, houve retração do setor, com redução da procura por commodities no mercado internacional, o que fará com que a produção agrícola encolha um pouco”.
O economista disse ainda que o incremento da taxa básica de juros, a Selic, definido ontem pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), é um indicativo da intenção do governo brasileiro em inibir um pouco a expansão dos setores produtivos.
“Mesmo com as recentes quedas da inflação, o risco de uma alta de preços fora do idealizado pelo governo continua.
Aumentar os juros é uma forma de evitar um processo inflacionário, retendo a demanda por produção”, disse Vieira.
A expectativa do coordenador da SEI não é partilhada pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), João Martins. “Commodities são negociadas a longo prazo. Os produtores de algodão, por exemplo, já venderam as safras que serão colhidas daqui a dois anos, e quase 100% do produto são voltados para exportação”, afirmou, destacando que até o final do ano não haverá colheita, apenas plantio para as próximas safras, “mas o dinheiro das vendas efetuadas continuarão a chegar normalmente”.

JUROS – Criticando o que chamou de “mão pesada” do Banco Central, o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Sérgio Pedreira avalia que o aumento dos juros desestimularão investimentos e deve impactar negativamente no crescimento da economia. Para combater a inflação, segundo ele, “seriam apropriados outros instrumentos como o aumento mais expressivo da meta de superávit primário, a partir da redução das despesas correntes. Se o governo federal cortasse gastos, não precisaria aumentar os juros”, enfatizou.
Para o vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo da Bahia (Fecomércio), Carlos Andrade, todo aumento de juros é ruim, mas ele se diz otimista com o futuro do mercado. “Comercializamos o que já foi produzido, portanto, temos muito a crescer, principalmente com as classes C, D e E tendo, cada vez mais, acesso a financiamento e crédito”, disse.