Bahia registra 1.052 focos de incêndio

15/09/2008

Bahia registra 1.052 focos de incêndio

 

As queimadas, criminosas ou inconseqüentes, deixam um rastro de destruição com prejuízos econômicos e ambientais. Na Bahia, este ano, já foram detectados pelo Centro Estadual de Meteorologia (Cemba) 1.052 focos de grandes incêndios. Destes, 80% aconteceram nas regiões centro e oeste, onde o fogo foi favorecido pelo clima quente e seco e pela grande quantidade de vegetação ressequida por mais de meio ano sem chuvas, diz o meteorologista do Cemba, Heraclio Alves.

O desdobramento de atos de irresponsabilidade, culposos ou dolosos, porém, não se restringe às áreas rurais. Também a população urbana é atingida pelas queimadas, não só com a fumaça que se espalha com o vento, mas também com a interrupção da energia elétrica.

Nos meses de julho e agosto deste ano, mais de 13 mil consumidores de energia do oeste baiano tiveram o fornecimento interrompido, com cinco desligamentos nos sistemas de transmissão atingidos pelo fogo.

O gestor da unidade de Barreiras da Coelba, Janilson Andrade, esclarece que, em grandes queimadas, o calor e a fuligem criam um ambiente propício para a propagação da corrente elétrica, não só entre a linha de transmissão e o solo, mas também entre os cabos da linha de transmissão.Em ambas as situações se dá o desligamento da linha e, com isso, a falta de energia.

Santa Rita – Com26.135 habitantes, o município de Santa Rita de Cássia, a 1.044 km de Salvador, sofreu um blecaute na semana passada que durou entre três a quatro horas, segundo a recepcionista Rita Corado, 21 anos.

“Praticamente parou a cidade, pois hoje em dia tudo funciona com energia elétrica”, diz ela, sem saber precisar o tamanho dos prejuízos. “Mas quem tinha compromissos bancários, por exemplo, teve que adiar para o dia seguinte”, comenta.

Para minimizar o problema, a Coelba está apostando na conscientização da população. “Queremos mostrar que com pequenas ações é possível mudar isso”, afirma Andrade. Os produtores rurais que cultivam em locais sob linhas de transmissão formam o público-alvo, pois a quebra dos cabos pode não só provocar o blecaute, mas também atingir pessoas que estejam próximas.

“Por isso pedimos para que não plantem dentro dessa faixa e jamais coloquem fogo nessa área”, enfatiza o gestor da Coelba.O prejuízo estimado pela empresa com queimadas na região oeste no mês de agosto e os 10 primeiros dias de setembro é de R$ 75 mil, com deslocamento de equipes, mão-de-obra, reposição de material e a energia que deixou de ser vendida durante a interrupção do fornecimento.

Socorro – Até a semana passada, a população de Barreiras não tinha a quem recorrer. Um destacamento do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar começou a operar precariamente no sábado.Já a Brigada de Incêndios Florestais do Ibama ainda está em fase de implantação e só deve começar a atuar “apenas na próxima estação do fogo”, disse o coordenador da experiência nas regiões de Barreiras e Bom Jesus da Lapa, Vinicius Correia.

Entre as queimadas que atingiram a região em agosto, uma se estendeu por três propriedades do Projeto Barreiras Norte, atingindo 21 hectares. À época, uma das proprietárias, Luza Ribeiro, passou cerca de quatro horas ao telefone, tentando obter ajuda.“O único carro-pipa chegou ao local mais de cinco horas após o início do fogo, quando já não havia mais chance de salvar nada, apesar de estarmos a apenas 14 km da cidade de Barreiras”, assinalou. O prejuízo foi de R$ 100 mil.

O fogo é perigoso também para motoristas que trafegam nas rodovias. Há cerca de duas semanas, uma queimada na vegetação na margem da BR-242/020, entre as cidades de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, atingiu três carretas carregadas com caroço de algodão. As perdas só com as cargas foram estimadas em cerca de R$ 34 mil.