No Dia do Cerrado, oeste ganha laboratório de sementes nativas
Em comemoração ao Dia Nacional do Cerrado, que ocorreu dia 11, o oeste da Bahia ganhou o primeiro laboratório de sementes nativas do Estado, instalado no Campus IX da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), junto a um herbário e um viveiro, ambos de espécies típicas da região.
O projeto do laboratório é resultado de uma parceria entre a Uneb, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) e a Coelba, através de uma cooperação técnica e financeira firmada há dois anos. Já o herbário e o viveiro existem desde 2003 e foram implantados através da Base Cerrado, instituída entre a Uneb e o antigo Centro de Recursos Ambientais (CRA).
A diretora do Instituto do Meio Ambiente da Bahia (IMA), Bete Wagner, disse que o cerrado é um bioma frágil . “Através deste trabalho de pesquisa, será possível conhecermos as espécies mais vulneráveis e reproduzi-las em viveiro para replantar áreas degradadas”, frisa, salientando que o IMA pretende fomentar ações semelhantes nos biomas de caatinga e na Mata Atlântica.
MOTIVAÇÃO – Coordenadora do herbário, a doutora em Botânica e professora da Uneb, Cristiana Costa, destacou a motivação dos alunos e bolsistas que participam diretamente dos projetos.
“Eles são responsáveis por todo o trabalho de campo e têm demonstrado entusiasmo em aprender”, disse ela, acrescentando que mais de mil exemplares do bioma cerrado já foram coletados e estão sendo catalogados pela equipe.
Faz parte da rotina dos 10 alunos de engenharia agronômica e ciências biológicas, e duas bolsistas de iniciação científica que trabalham no laboratório e no viveiro os experimentos no armazenamento, na quebra de dormência, na composição de substratos e necessidade hídrica de cada espécie.
Divididos em equipes, eles acompanham todo o processo, desde a coleta das sementes até que a muda fique no ponto de transplante no local definitivo, o que preferencialmente deve acontecer no período chuvoso.
RESULTADOS – Especializado na área de alimentos, Fabio Cocozza empresta seu know how ao projeto, investindo na diversificação do aproveitamento de frutas típicas da região. Ele defendeu a necessidade de agregar valor a espécies nativas do cerrado e cita resultados positivos na produção de picolé e doces de corte, como o de buriti, que ainda existe em abundância em áreas de veredas e beiras de rio e é subaproveitado.
As pesquisas devem apontar ainda valores nutritivos de frutos, espécies com poder medicinal, potencial madeireiro e até a expectativa da produção de flores para fomentar a apicultura.
“Queremos ter estas informações para ajudar na formação de um banco de dados regional”, ressaltou Cocozza.
Envolvida no projeto desde sua primeira fase, a estudante de engenharia agronômica e bolsista da Fundação de Apoio à Pesquisa na Bahia, Glauciana Araújo, 29, atua tanto no laboratório de sementes quanto no viveiro e destacou que apesar dos convênios existentes ainda há muitas dificuldades a serem superadas.
“Além de experimentarmos as melhores composições de solo para favorecer a germinação das sementes, estamos trabalhando na seleção das melhores plantas que servirão de matrizes”, asseverou a estudante.
REPLANTIO – Para a coleta das sementes em campo, o que geralmente é feito nos finais de semana, a equipe de pesquisadores firmou uma parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Barreiras, que também tem recebido parte das mudas já produzidas para replantio de árvores na zona urbana.
Através dos convênios, foi adquirida a aparelhagem necessária para a realização dos estudos. De acordo com o gestor da unidade de atendimento de Barreiras, da Coelba, Janilson de Andrade, a empresa investiu R$ 51,7 mil.