PAC do Cacau desagrada
Donaldson Gomes
Em reunião com representantes dos governos federal e estadual e entidades de classes, ontem, no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia, produtores mostraramse resistentes à adesão ao Plano de Aceleração do Desenvolvimento do Agronegócio na Região Cacaueira da Bahia, o PAC do Cacau. Eles têm até o dia 30 para decidir se participam do programa, que oferece negociação de dívidas, revitalização e diversificação da produção para agregar valor ao cacau, com um investimento de R$ 2,5 bilhões.
O produtor Thomas Hartman apresentou uma simulação durante o evento que resumiu o temor de outros cacauicultores.
Utilizando números de sua propriedade, com a adesão ao PAC do Cacau, a dívida teria sofrido um acréscimo de 288% em 12 anos. “Não vai solucionar os problemas substanciais”, lamentou, e perguntou se seria honesto repactuar a dívida e voltar para a inadimplência depois de quatro ou cinco anos.
Um dos maiores produtores do Estado, que não quis se identificar, comentou que ainda não sabe se a adesão ao PAC do Cacau vai trazer benefícios. Com ações no Supremo Tribunal Federal contra a União, ele acredita ter sido prejudicado pelos financiamentos para combater a vassoura-de-bruxa. “O governo está nos oferecendo mais uma dívida”, critica ele.
O secretário da Agricultura do Estado, Geraldo Simões, ressaltou a importância do PAC. “É preciso agregar valor ao cacau”, comenta. De acordo com dados apresentados pela Seagri, enquanto o quilo da amêndoa da fruta é vendida em média por R$ 5, a massa chega aos R$ 15, enquanto o quilo do chocolate custa R$ 45. O PAC prevê o estímulo à produção de culturas paralelas, como a seringueira, o dendê, a fruticultura e palmito.
Destacando que não queria influenciar ninguém a participar do plano, o presidente da Faeb, João Martins, afirmou que já “jogou a toalha” emrelação a melhorias na proposta. “Não vai sair nada diferente, anistia não existe”, avisou à platéia que pouco antes se manifestou pedindo o perdão das dívidas. Martins garantiu que os recursos previstos foram alvos de muitos estudos.
Ele lembrou aos presentes que a renúncia em aderir deixará vulneráveis quem tem problemas com o endividamento.
Segundo o gerente-geral do Banco do Nordeste em Itabuna, Delci Andrade, as críticas ao financiamento do PAC do Cacau, são injustificadas. “Nunca se ofereceu nada igual”, garante em relação à utilização do Fundo de Financiamento do Nordeste para a oferta de crédito, que garante recursos independentes do orçamento da União, com prazo de pagamento é de 12 anos e carência de quatro anos.